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quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Uruguai: Bouza Tannat 2014

Mais uma safra desse ótimo vinho. Já havia bebido a 2012 anteriormente.

Esse segue a sequência dos vinhos que foram bebidos na despedida do Freitas.

Menos rústico que o 2012, menos madeira, parece mais 'internacional'. Sem que isso pareça um demérito, talvez 'mais elegante' seja o termo correto.

Púrpura, é um belo vinho, delicioso, jugoso como dizem os hermanos. Muito bem feito, está pronto e ainda aguenta mais uns dois anos. Se eu pudesse, seria um dos 'vinhos de dia a dia'.

Very good example of how a Tannat wine can be worked to be less rustic without losing character.

Diferent from the later 2012 vintage that I have tasted, but still a nice Uruguayan Tannat. Juicy, wood well fit, some would say a more international view of Tannat. I say: prove it and enjoy.

Nota -> 4 de 5.

Preço -> indefinido mas acima de R$100 infelizmente. Undefined, bought at a restaurant.

Site -> Bodega Bouza.



sábado, 9 de julho de 2016

Uruguai: Ysern Sauvignon Blanc 2015

Untuoso sauvignon blanc do Uruguai, fruto de uvas de dois vinhedos, de amarelo bem forte em relação ao que comumente encontro nos Sauvignon Blancs, mais fruta que o comum também. Muito boa acidez, pouco herbáceo, tem uma aura de "coisa fina". Bem gostoso, agrada facilmente.

Greasy uruguaian Sauvignon Blanc, blend of two regions, brings a yellow wine with very present ripen white fruit, not so common in Sauvignon Blanc wines, with low herbaceous hints. Nice acidity, please you easily.

Nota -> 3 de 5.

Preço -> R$35,90 na Vinum Day.

Site -> Bodegas Carrau.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Uruguai: Jano Tannat 2011 #CBE [English below]

Para o mês de Março, o tema da nossa querida confraria virtual foi “Tannat uruguaio, em qualquer faixa de preços” - sugerido pelos simpáticos Maykel e Anna do Vinho por 2.

Como sou um grande fã dos vinhos feitos com a uva, me alegrei e optei por abrir um vinho que me atiçava a curiosidade já há um tempinho.


Na taça, púrpura com o halo bem clarinho, o conjunto todo caminhando para um vermelho respeitável. No nariz, ervas secas envolvendo umas frutas ao fundo, talvez chocolate.

Na boca mais ervas secas, taninos presentes, bem seco; mas sabe aquele vinho que você não consegue entendê-lo? Ou defini-lo? Pois é, fiquei um pouco confuso. Não sei se por ter criado expectativa, ou se por ser fã de Tannat e não ter nele encontrado o que eu tanto gosto, fato é que achei o vinho meio "perdido". Minhas últimas conclusões acerca do ocorrido foi que de alguma forma fui contemplado com uma garrafa que por algum motivo estava ruim, haja vista a enorme rede de elogios feita a esse vinho pela rede, e inclusive figurou bem recomendado no Descorchados de 2013.

São apenas 2000 garrafas (as safras seguintes são bem maiores), e segundo está escrito possui um potencial de 12 anos. O nível alcoólico é mais baixo mas achei muito perceptível.

A very confusing uruguaian Tannat, with lots of dried herbs on the nose and palate, some fruit spotted somewhere between or behind the herbs.


Less alcohol than the common Tannat, a little confused in mouth, as if things were a little messed up. Maybe it was the bottle, since I have read good comments on it lately (Guía Descorchados 2013 for instance).



Nota (points) -> 3 de 5.

Preço -> R$149,9 (US$37)


sexta-feira, 18 de março de 2016

Marichal Chardonnay 2013 [Uruguai] #CBE

Depois de um tempo off, estou de volta para o post da CBE, a confraria brasileira de enoblogs. Com atraso, ok, mas de volta!

O tema para o mês de fevereiro de 2016 da nossa amada confraria virtual foi: Chardonnay sem passagem por madeira, de qualquer país e preço. Responsável: Tiago Bulla, do Universo dos Vinhos.

Escolhi esse uruguaio de Canelones, um Chardonnay jovem, bem frutado e aromático, de início até me assustei achando que tinha leve passagem em barricas, mas não é o caso. A boca traz boa acidez e a uma impressão de dulçor soma-se uma inesperada mineralidade, que vem em boa hora. Gostei dele.

Escoltou bem um Frango Thai com arroz de jasmin, e não se intimidou perante um Garam Masala bem puxado, foi uma boa combinação.

Experimentem-no!

Nice uruguaian Chardonnay from Canelones region. This Marichal Family winery might be influenced by the sea (geographically close to), as this beautifully fruity chardonnay also gifts us with a bright minerality and acidity, along with fresh fruit presence. The nose is sweet and initially I thought it had spent a little time in barrels, which has not occurred.

Very interesting, Uruguay is always a good choice in my opinion.



Nota (points) -> 3.5 de 5.

Preço -> R$65,90 na Vinum Day (circa US$16)

Site -> Bodegas Marichal.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Bouza Tannat 2012



Na taça cor púrpura. Média transparência, nos passa a idéia de um vinho pouco concentrado.

Ao nariz muita fruta vermelha fresca, alcaçuz, baunilha. Fundo de taça tostado delicioso.

Boca fresca, leve, textura de carne. Desce fácil. Um Tannat domesticado e menos concentrado para alegrar a quem gosta de vinho. E a quem não conhece a Tannat.

Os taninos? Estão lá, presentes, mas não agridem. Álcool muito bem integrado, um vinho de qualidade mas pena custar tanto aqui no Brasil, que está literalmente acima do Uruguai. Chega a ser ridículo o preço praticado por aqui. Ainda mais sendo uma produção de mais de 40 mil garrafas, mais precisamente 40.992. Bebi a de número 309.


Apenas 10% passa em madeira, mas parece ser mais...

Nota -> 4 de 5.

Preço -> Absurdos R$76,00 na Bergut Bistrô.

Site -> Bouza.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

Encontro Mistral 2014 - um pouco do que vi e gostei

A Mistral é a maior importadora de vinhos do Brasil (acho que ainda o é), e seu bienal encontro, que está em sua sétima edição, ocorreu no Rio de Janeiro no último dia 08, no belo hotel Sofitel em Copacabana.

Ela possui em seu portfolio nomes de peso como Catena Zapata, Luis Pato, Domaine Faveiley, Pisano, Bollinger, entre outros.

Não preciso comentar que é praticamente impossível provar tudo que nos é oferecido, e que chegar lá sem uma programação prévia do que visitar pode te confundir um pouco.

Indo ao assunto, logo que cheguei rumei para o stand da Bodega Aleanna, estava ansioso em provar as criações de Alejandro Vigil (o grande responsável pela minha presença no encontro - obrigado, Ale!), enólogo chefe da Catena Zapata. A Bodega Aleanna é o seu projeto pessoal em conjunto com Adriana Catena, filha do famoso Nicolás Catena, que dispensa apresentações.

Da sua linha El Enemigo estavam lá:


  • Chardonnay (já havia gostado muito do Chardonnay Catena, também feito por ele). Esse aqui é simplesmente o melhor que já bebi da Argentina, opinião compartilhada com o Jorge do blog Contando Vinhos. 

  • Syrah Viognier: muito fresco, fácil de beber, bem leve, outra proposta de Syrah. A Viognier na Argentina tem dado coisa boa, estou de olho nela.
  • Bonarda: chocolatão, emborrachado leve na boca, muito frescor e com caráter, conseguiu fazer um bonarda elegante e nunca enjoativo, também dos melhores vinhos com a cepa que já bebi. Um vinho para realmente dizer o potencial da Bonarda. 
  • Malbec também fresco e muito complexo, esse foi o primeiro vinho lançado da bodega, e de cara já arrematou diversos elogios dos pro(s). Um pouco diferente do estilo mendocino consagrado, e a meu ver melhor.
Todos os três com um toque rústico que muito me agrada.

O Gran Enemigo, seu ícone, é um capítulo à parte. Muito complexo, também muito fresco e aromático, é um vinhaço. Daqueles que te fazem lembrar porque você bebe vinho. Titio Parker (acho que o Neal Martin) já havia notado os vinhos do Alejandro, dando 94 ptos a essa edição 2008 com base Malbec, mas na última edição do WA o Alejandro conseguiu belas pontuações à safra 2010, para 3 dos seus vinhos (e todos de Cabernet Franc, minha uva preferida):


Eu e Alejandro:



De quebra, com o stand da Catena ao lado, provei dois vinhaços ícones deles:


O Nicolás Catena Zapata é um vinho potente, quente, taninoso, para quem gosta do estilo. Muita coisa no nariz, boca carnuda e densa, ainda aguenta tempo em garrafa, gostei bastante. Um vinho para poucos.

O Catena Zapata Adrianna Vineyard Malbec Gualtallary é uma visão muito elegante e frutada do Malbec, uma coisa muito bem feita e um vinho delicioso. Daqueles que a garrafa acaba rápido.

Outro stand que visitei do novo mundo, o qual me surpreendeu bastante foi o da Pisano. Tida como a melhor vinícola do Uruguai por muitos, pude conhecer o enólogo e diretor Gustavo, que me recebeu com muita simpatia e ficamos conversando por muito tempo. Seu filho é meu xará!


Provei o Cisplatino Torrontés (sim, eles plantam Torrontés no Uruguai!), bem fresco e fácil, e seu irmão mais velho, o Río de los Pájaros Reserve Torrontés, simplesmente o melhor Torrontés que já bebi (se você pesquisar aqui no blog, verá que nesse ano bebi vários).


Da famosa linha RPF, provei o Chardonnay, e depois o Petit Verdot e o Tannat.



O Petit Verdot é um vinho tânico e com certa potência, um belo vinho. O Tannat também segue na linha, mais mineral porém. Gostei muito dos dois.


O Pisano Axis Mundi 2002 passa 30 (!!!) meses em barricas e mais dois anos em garrafa. É um vinho amadeirado mas incrivelmente integrado, muito persistente, com boa acidez, taninos presentes, aromas de evolução muito agradáveis combinados com traços mais adocicados, realmente uma experiência interessante e que me agradou muito.

O Arretxea é uma pequena produção de um blend de Cabernet Sauvignon, Merlot e Tannat, e que resultou num vinho complexo e delicioso, outro que me conquistou.

Pra finalizar, provei o vinho tinto fortificado Etxe Oneko Tannat, que é simplesmente dos melhores que já bebi. Sinceramente entre ele e um porto para a sobremesa, que me desculpem meus ancestrais mas prefiro esse! A foto fico devendo. Ganha fácil de muitos Amarones também.

Vale ressaltar também que eles fazem um espumante de Tannat (!!!), que infelizmente não havia para ser degustado. Realmente a Pisano se fez um local a ser visitado quando no Uruguai.


Pude degustar também alguns vinhos da Domaine Faiveley, famoso produtor da Borgonha que é considerado uma das maiores fontes de vinhos de alta qualidade da região, e que é o maior proprietário de vinhedos finos da Borgonha, incluindo boas parcelas de Grand Crus e Premier Crus, engarrafados artesanalmente e sem filtração.

Provei o Nuits-Saint-Georges (excelente), o Gevrey-Chambertin (muito bom mas preferi o estilo do Nuits-Saint-Georges) e o Clos des Cortons, que não gostei muito. Esse vinho na safra 2009 ganhou mais pontos do ST que o Domaine de la Romanée Conti.


Na Bollinger pude provar a linha Ayala de entrada, bem frescos e com ótima qualidade, infelizmente chegam por aqui inflacionados (temos coisa melhor por aqui), e os famosos Bollinger, bem diferentes dos onipresentes Moët & Chandon e Veuve Clicquot, que o brasileiro acaba pagando caro sem necessidade.

Tive a honra de degustar também o Millesimé 2002, mas que infelizmente teve problemas com a rolha e não estava em todo o seu esplendor, embora ainda assim seja algo notável.


Por fim coloco aqui a foto do Chryseia, famosíssimo vinho do Douro que se mostrou extremamente elegante e ao mesmo tempo bastante expressivo, um belo vinho mas que sinceramente não sei porque alcança valores altos por garrafa. Uma pena.

No mais, o evento é muito bem organizado, bem servido inclusive de pães e queijos, não há acotovelamento nos stands e o fato de você falar direto com o produtor e muitas vezes proprietário torna-o único e melhor que todos os outros do gênero. Parabéns à Mistral e a todos os expositores que lá estiveram, mas fica aqui a dica: fazer em dois dias no Rio de Janeiro também, assim a gente tem tempo de visitar tudo (ou quase tudo)!

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Catena Chardonnay 2011 e Don Adelio Ariano Tannat 2009


Post rápido. Esses tive o prazer de beber ao lado de minha querida Isis e do belo casal Anderson e Alessandra, que apadrinhei há um ano na ocasião, em meados de Novembro.

Segundo veiculado entre os enólogos de Mendoza, 2011 foi um belo ano. O post anterior fala do ótimo Alamos Cabernet Sauvignon 2011. Esse agora traz o Catena Chardonnay da mesma safra.



Muito elegante, suave, é um vinho que dificilmente alguém dirá que não gostou. Se você acompanha o blog sabe que minha cepa branca preferida é a Sauvignon Blanc, sendo que gosto muito da Chenin Blanc também. Mas, esse Chardonnay realmente é de tirar o chapéu. Tudo em seu lugar, de um frescor no ponto e um final bastante agradável. Parabéns, Vigil!



Já o Don Adelio Ariano Tannat foi uma surpresa. Ao ser aberto facilmente notamos um quê de couro, na boca nada agressivo, apesar de demonstrar seu vigor e seus taninos. Um belo Tannat para quem gosta de Tannat. Outra escolha bem acertada.


terça-feira, 28 de maio de 2013

Amat Tannat 2005 e Epu 2009


Há tempos este exemplar está em minha geladega esperando ser aberto. Eis que chegou o momento.

Bem evoluído, de início ainda fechadão. Com o tempo liberou especiarias, frutas vermelhas. Até um café.

Na boca o que chamou atenção foi uma acidez inimaginável e uns taninos ainda resistentes, coisa de Tannat de primeira. É um belo vinho, ainda com vigor mas que não apresentou a potência de um Bouza por exemplo, provavelmente por conta da idade. Não que seja um defeito ou um problema, muito pelo contrário. Final longo.

Sugiro abrir a garrafa um tempo antes e depois decantá-lo durante um tempo. Um belo vinho, um grande e diferenciado Tannat.


EPU: muito boato ronda esse vinho, segundo vinho da Almaviva? Vinho que não virou Almaviva por conta de proximidade de eucaliptos ao vinhedo? Mais procurado que o Almaviva?

Enfim, boatos à parte, é um extrato muito concentrado e potente, muita fruta, baunilha, madeira, é denso, volumoso, sensação adocicada, especiarias, algo herbáceo, boa persistência. A verdade é que trata-se de um belo vinho, mas ainda tem alguns anos pela frente para se arredondar, ainda assim já propicia um belo prazer ao ser bebido.

Notas -> 4 de 5 para os dois.

Preço -> US$32,00 o Amat no Uruguai, R$ (presente) o EPU.

Site -> Bodegas Carrau e o EPU não aparece no site da Almaviva.



segunda-feira, 15 de abril de 2013

Casa Real 2008, Neblus 2007 e Bouza B6 2007


Nosso grande amigo Bruno entrou em contato na sexta dizendo: "Tô a fim de abrir o Casa Real. Bora?".

Com os devidos ajustes realizados, fechamos o encontro e eis que lá pelas 23h estávamos vertendo o garoto na taça.

O vinho é simplesmente um espetáculo, sem arestas, já prontinho, proporcionou um prazer elevado. Sua coloração ainda é de vinho jovem, amplos aromas, na boca uma textura quase perfeita. Fora o final, enorme. Nem me arrisco a elencar aromas e sabores. Prove-o.



Garrafa finalizada, veio a pergunta: e agora? Quem tem peito de vir após?

Escolhemos o Neblus 2007 que veio direto do Chile em abril do ano passado, tá lá há quase um ano deitadão na geladega. Escuro, denso quase leitoso, explosão láctea constante e álcool ainda queimando um pouco as narinas. Na boca muito quente, de taninos de boa qualidade marcando presença todo o tempo. Dá quase para mastigá-lo. Merecia mais um tempo descansando, embora tenha proporcionado um belo momento também.

Um poderoso Syrah com um leve toque de Merlot...


Bom, e agora? Quem vem?

"Precisamos de potência" - pensei. "Vamos de Tannat!" - concluí.

A Tannat sinceramente é das minhas prediletas. O melhor vinho nacional que bebi por exemplo foi um 100% Tannat (Don Laurindo Reseva Tannat 10 anos 2005). E lá veio ele, o Bouza Tannat Parcela Limitada B6.



Bastante denso, escuro também, abriu-se lácteo - ué, isso não foi o Neblus? - o que surpreendeu a todos, embora os tostados tenham dominado logo após. Álcool no nariz também - afinal são 16% - mais encaixado na boca porém que o Neblus. Depois que sossegou na taça, ah! Só não venceu o Casa Real porque sinceramente a comparação não vale a pena, visto serem estilos completamente diferentes.

Apenas 3.053 botellas...


Uma pena que vinhos tão bons sejam quase inalcançáveis para o grande público. No Brasil, as pessoas ainda acham que vinho é coisa de gente rica (talvez com razão); o vinho é tributado como bebida alcoólica (aqui não se tem a tradição de consumi-lo nas refeições ordinárias) e as vinícolas não conseguem se encaixar em faixas mais simples de tributação. Fora outras exigências legais, frete, ICMS variando de estado pra estado,...

Notas -> Casa Real 5 de 5. Neblus 4.5 de 5. Bouza 5 de 5. Uma noite memorável.

Preços -> Casa Real: não declarado mas pode ser encontrado na Grand Cru a quase R$400,00; Neblus: R$88,29 (comprado no Chile, numa loja de vinhos muito boa, la vinoteca se não me engano...); Bouza: presente, mas custou US$35,00 na Bouza (incrível né? Era pra ter trazido uma caixa!).

Sites -> Santa Rita, Viña Casablanca, Bodega Bouza.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Suzin Cabernet Sauvignon 2007 e Bouza Tannat Parcela Unica A8 2007



A Suzin produz suas uvas em São José do Alecrim, em São Joaquim - SC, numa altitude de 1200m, tendo começado em meados de 2001, criada pelo patriarca da família Sr. Zelindo Melci Suzin, atualmente com 73 anos, juntamente com Everson e Jeferson Suzin, seus filhos.

Originalmente plantavam batatas e, como a Hiragami, maçãs. Buscaram diversificar e implantaram 10 hectares de vinhedos. A vinificação é pela Vila Francioni, mas planejam em breve construir sua própria cantina. Seus primeiros produtos foram varietais de Cabernet Sauvignon e Merlot, em 2006. Hoje, metade do vinhedo é dedicada à Cabernet Sauvignon, boa parte do restante para Merlot e o restante para Pinot Noir e Sauvignon Blanc.

Esse Cabernet Sauvignon surpreendeu. Muito aromático, principalmente condimentos e frutas vermelhas, na boca uma acidez ótima, e um sabor convidativo, mais frutas e pimenta, algo de ervas, menta bem de leve, o vinho acabou muito rápido. Um gole chama outro. Muito boa persistência, lembrou um pouco o grande Heitor Villa-Lobos da Casa Valduga (2005), porém um pouco diferente e tão bom quanto.

Novamente: o estilo da Cabernet Sauvignon brasileira me agrada muito, diferente da Chilena e bem diferente da Mendocina. E na minha opinião melhor que os Merlot(s) nacionais.

Recebeu medalha Gran Ouro no 7º Concurso Mundial de Bruxelas de Vinhos Finos & Destilados 2010, avaliado às cegas pelo júri internacional do concurso, em setembro de 2010.

A garrafa é numerada mas não sei quantas foram produzidas no total.



Depois abrimos o Bouza Tannat A8 Parcela Única. A Bouza trabalha no Uruguai a seguinte premissa: o trabalho em pequena escala gera sempre os melhores resultados. São plantadas Alvarinho e Chardonnay para os brancos e Merlot, Tempranillo e Tannat para os tintos. Por isso essas identificações "A8", "B6", etc., refletem a parcela do vinhedo da qual aquela garrafa teve origem.

Um vinho bem potente, 15% de álcool se mostram na garganta, acidez bem viva, aromas deliciosos, percebe-se madeira de boa qualidade. Muita coisa no nariz, uma coisa se sobrepondo à outra. Já proporciona prazer, mas ganha ainda em garrafa. No final mostrou que uma rápida decantação teria feito bem, mas não chegou a atrapalhar a festa.

Ele toma conta da boca, faz uma faxina, esquenta, e vai embora, ficando uma sensação muito boa. Um vinho muito bom.

3.418 garrafas produzidas, esta foi a de número 1.860.



Notas -> 4.5 de 5 para os dois!

Preços -> R$54,8 o Suzin no Rosita Café e R$164,00 o Bouza na Lidador.


Sites -> Suzin e Bouza.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Avondale Gran Reserva Camissa Syrah 2005 + Gimenez Mendez Alta Reserva Arinarnoa 2008 + Roc de Bel-Air Bordeaux 2008


Mais um passeio pela Avondale, que foi seguido por uma curiosidade uruguaia, e uma tradição francesa.

O Avondale Camissa Syrah 2005 era a grande estrela da Syrah da Avondale. Digo era pois eles estão reformulando sua linha, e ainda não terminou o trabalho.

Enfim, torço para que permaneça, pois o vinho estava redondíssimo, começou com leve fruta madura, mas os condimentos logo deram as caras e lá pra perto do finzinho apareceram o alcaçuz e o chocolate, um vinhaço. Tempo entre-goles ínfimo, acabou na velocidade do som.

Invertendo a ordem de degustação, sua cor carmin foi um espetáculo à parte, algo como "me respeita meu amigo", tava na cara que era um vinho já evoluído e com um leque de aromas e sensações, o que se confirmou belamente... Não há arestas, o vinho é top!

Camissa é uma palavra Khoi, significa "o lugar das águas doces". Essas águas irrigam as raízes das vinhas da Avondale.

A propósito, vertendo o néctar no decanter, aos poucos foi aparecendo a enorme mancha na garrafa, dado o depósito. Esse estava parado há bastante tempo na loja, fiquei feliz de ter sido bem armazenado. Nem tente bebê-lo sem decantar.

Ok, ok, comecei pelo vinhaço e depois fui descendo... Mas posso confessar? Não atrapalhou em nada. Combinado que estava com a diversidade de petiscos e queijos, a noite foi perfeita.

Bem, partindo para o segundo vinho da noite, a Arinarnoa é cultivada no Uruguai apenas pela Gimenez Mendez. Essa variedade foi criada em 1956 por Marcel Duquerty, diretor do INRA de Bordeaux. É um cruzamento de Merlot com Petit Verdot. Minha opinião? Deu muito certo. Já provei um da Casa Valduga, e agora esse, bastante superior e muito bom. Tem estrutura e tanino, mas não agride, tem fruta, bom volume e final gostoso. Nariz de algum dos berries e leve mentolado. Valeu cada centavo e superou expectativas.

O Roc de Bel Air foi uma surpresa. Por que? Porque quando abri-o da primeira vez, gostei muito, pra faixa de preço apresentou um leque de aromas bem interessante, na boca até um chocolate de leve surgiu. Mas dessa vez ele era um pimentão. E só. Tava bom, mas muito diferente, fiquei intrigado. Enfim, àquela hora...

Notas -> Camissa: 4.5 de 5
               Gimenez Mendez: 3.5 de 5
               Roc de Bel-Air: 3 de 5

Preços -> Camissa: R$90,00
                Gimenez Mendez: R$39,90
                Roc de Bel-Air: R$19,75

Sites-> Avondale, Gimenez Mendez e Roc de Bel-Air.