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sexta-feira, 25 de abril de 2014

Bremerton Selkirk Shiraz 2010



Lembro-me de ter bebido a safra 2006 deste vinho, estava muito bom. Se não me engano foi em 2010.

Este agora ganhei de presente do meu grande amigo e sócio nos vinhos, Camilo Figueira.

O Shiraz da Australia é um vinho muito saboroso, e dificilmente varia muito, no sentido de ser algo ruim.

Este ao ser aberto se revelou num vermelho/vinho bem escuro, turvo, com um halo um pouco mais claro. Visivelmente ganharia com decantação mas infelizmente não o fiz.

Ao nariz: madeira e álcool perceptíveis. Depois de um tempo foi possível divisar frutas vermelhas, sem exuberância.

Na boca ainda quente e taninoso, com a madeira confirmando presença e uma acidez notável. A primeira impressão foi ruim mas ainda assim ele parecia dizer que ia demorar a se abrir. Acabei achando que tinha desarrolhado cedo demais. A sorte foi que o vinho não foi bebido todo na hora de sua abertura, na verdade apenas duas pequenas taças foram degustadas. Saquei a bombinha trudeau e tirei um pouco do ar que se encontrava na garrafa, guardando-o para os dias que viriam.

Sobre o funcionamento ou real ganho dessa bombinha, bom, é assunto para outro post mas posso adiantar que já fiz o teste e ela me dá pelo menos dois dias a mais para os vinhos que ainda permaneceram na garrafa.

Então resumindo foi assim:

1o dia: madeira e acidez; quente, taninos gritando. Vê-se que é um bom vinho mas precisa de tempo.
2o dia: menos madeira e mais fruta, acidez mais comportada.
3o dia: fruta e madeira; dulçor. Taninos marcam presença; final prolongado.

Realmente no terceiro dia pode parecer que ele já tinha envelhecido por conta do que escrevi (dulçor) mas confesso que estava muito bom. No segundo dia ele deu sinal que melhoraria e no terceiro se confirmou como um belo shiraz australianao. Definitivamente não se comparou ao da safra 2006, que bebi quatro garrafas e uma apenas que variou, mas as outras três estavam muito boas. Porém, é um belo vinho.

Há algum tempo provei um outro das irmãs Wilson, o Old Adam Shiraz.

Nota -> 4 de 5.

Preço -> presente, mas pode ser encontrado online aqui.

Site -> Bremerton.

domingo, 30 de março de 2014

Wakefield Chardonnay Clare Valley 2009


Não sou fã de Chardonnay com passagem em madeira. Não sabia que esse tinha passado em madeira até colocá-lo em boca (rs).

Aconteceu assim: num restaurante japa, pego a carta de vinhos e quase caio para trás (rs novamente). Essa foi a opção menos cara e incrivelmente uma das que menos afetaria o paladar. Muita coisa pesada e o foco era em vinhos de muita estrutura, achei estranho.

Enfim, a verdade é que o vinho foi levado para casa e melhorou muito (opinião compartilhada com a Isis) depois de uns dias bem fechado na geladeira (screwcap).

A cor era bonita, amarelo dourado, com brilho. O nariz percebia algo de frutas mas para mim aqueles traços adocicados por conta da passagem em madeira eram mais nítidos, um lance meio creme-calda quente, amanteigado.

Em boca era um pouco "oxidado", quente, as frutas apareciam bem de leve mas a untuosidade é quem manda, com um final longo.

Clare valley é uma das mais antigas regiões produtoras de vinho na Australia, algo em torno de 150 anos.

Bom vinho, mas não é muito o meu estilo. Prefiro a Sauvignon Blanc, Viognier, Chenin Blanc, Torrontés...

Nota -> 3.5 de 5.

Preço -> R$110,00 em restaurante. Os vinhos australianos e neozelandeses são bem caros por aqui.

Site -> Wakefield. No hemisfério sul são conhecidos pelo nome original Taylors. No norte precisam mudar de nome por restrições de marca (provavelmente pela Taylors de Portugal que é bem antiga...)

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Old Adam Shiraz 2007


Há tempos atrás bebi o Bremerton Selkirk Shiraz 2006, acho que foi em 2011, comprado numa promoção na Lidador. Se não me engano na ocasião paguei R$69,00. Um vinho muito bom, macio, redondo, com ótimo paladar. Rebecca Wilson é a enóloga responsável, um nome que ficou gravado na memória.

Rapidamente o preço desse vinho foi a patamares quase centenários (rsrs). Felizmente consegui comprar algumas garrafas antes, e no total esvaziei umas 3 junto com amigos.

Via algumas vezes outros vinhos desta Sra., um tal Matilda, outro chamado Coulthard, um outro Tamblyn, um branco feito com a Verdelho, mas sempre optava por outras escolhas na mesma faixa de preço.



Cheguei a me deparar com dois deles mais "aristocráticos", um chamava-se Old Adam e o Outro Cabernet Sauvignon Reserva. Esses então chegavam nas duas centenas.



Surgiu até uma fofoca que o Sr. Eike Batista havia afirmado que esse era o "vinho do dia-a-dia" dele. Hoje em dia isso não seria levado muito em consideração...

Enfim, eis que surgiu a oportunidade de degustá-lo em conjunto com meus amigos da confraria 256, e lá fomos nós.


Cor já de relativa evolução. Se abriu num aroma muito intenso de madeira combinada a baunilha ou algo relativo. Demorou um pouco mas foi evoluindo, surgiram as frutas por cima (incrível) e depois tornou-se muito complexo, com ervas, canela, e muitas outras coisas que não consegui identificar.

Na boca também começou com muita madeira aparente mas com o tempo ela se integrou ao conjunto e seu paladar esteve bastante harmônico, com repetição de frutas e ervas, alguma especiaria, taninos bem marcantes mas nada incômodos. Um belíssimo vinho.



24 meses de barricas americanas e mais 12 de garrafa.

Nota -> 4.5 de 5.

Preço -> R$210,00 na VinExpress.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Benchmark Shiraz 2011



Este vinho foi um presente do meu chefe, que é associado à Sociedade da Mesa. Um shiraz australiano dificilmente é ruim, nisso concordamos.

Mas esse garoto surpreendeu pois é de uma acidez diferente dos outros shiraz australianos que conheci até hoje. Pura vocação gastronômica. Bem fresco, gostoso de se beber.

Permaneceu aberto durante um tempo, e me agradeceu destilando uma profusão de frutas, e algo de especiarias, mas as frutas dominaram e muito. Alternavam-se a todo momento.

Não arriscaria dizer que evoluirá na garrafa, porque estava muito bom para beber já. Quem sabe...

A Grant Burge, que fica no vale Barossa, produz uma variedade grande de vinhos, algo como 12 linhas diferentes, inclusive vinhos fortificados à moda dos vinhos do Porto.

Preço -> presente.

Nota -> 3.5 de 5.

Site -> Grant Burge.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Angove Bear Crossing Cabernet Merlot 2005 e Kankana del Elqui Syrah 2008


Confesso que ficamos um pouco receosos acerca desse vinho, por ser 2005. Mas ao abri-lo, que surpresa. Bem aromático, rapidamente se fez notar. Lágrimas abundantes e um tanto lentas, de um vermelho atijolado, o vinho estava sutil, mas delicioso. Sedoso, descia calmamente pela garganta, uma boa surpresa. Bem diferente dos cortes desse tipo que já experimentei. Se aproxima um pouco dos grandes vinhos brasileiros, com uma acidez bem interessante. Não aguenta mais tempo na garrafa, já está em sua hora.




Já o Kankana del Elqui, que contra si apresentava uma certa expectativa visto que a maioria dos confrades gosta da Syrah, foi aberto cerca de 1h antes. Aromas um tanto discretos, mas que se abriram num herbáceo que se definiu como champignon ou azeitonas em conserva. Sua cor púrpura é belíssima! Textura quase leitosa.

Os críticos americanos não deram muita "moral" para esse garoto, e sinceramente acredito que mais uns dois anos em garrafa lhe farão muito bem, embora já possa ser bebido agora.

O Kankana é da VSPT, Viña San Pedro Tarapacá, o segundo maior grupo vitivinícola do Chile, reunindo a vinícola San Pedro, a Tarapacá, a Santa Helena, entre outros.

A San Pedro foi fundada em 1865 pelos irmãos Correa Albano. 1865 é o nome de uma boa linha de vinhos deles.

Kankana significa braseiro, nome dado ao morro existente no vale de Elqui, que se torna extremamente avermelhado ao entardecer, com os últimos raios de sol. O morro é composto basicamente por magnetita, e acredita-se que se configura num imenso ímã de boas vibrações, transformando-se num altar místico.

Não é um vinho para iniciantes. Na boca sua acidez é alta, mas não incomoda. Bastante mineral, me lembrou um pouco o Loma Larga Malbec, com um gosto meio verde na boca; a definição, pra quem já teve a oportunidade de experimentar direto do pé, é de azeitona verde (verde no sentido de não estar madura).

Eu gostei bastante, mas repito: não é um vinho para iniciantes, embora seja relativamente educado, sem agredir o palato. O rótulo em si é um espetáculo à parte.

Nota -> 4 de 5 para os dois.

Preço -> R$45,00 o Angove e R$180,00 o Kankana, na Lidador.

Site -> Angove e San Pedro.


sexta-feira, 27 de julho de 2012

Wolf Blass Cabernet Sauvignon 1999



Esse vinho foi uma surpresa. "Tem um vinho no armário aí, que eu ganhei de presente há muito tempo" dizia o Heraldo, pai do Camilo.

E lá fomos nós despretensiosamente, achando que encontraríamos algo ordinário, que de longe mataria a vontade de beber um vinho interessante. E lá estava ele: um australiano já senhor.

"Será que está bom?" Era a única questão que aparecia em nossa mente.

O fato é que ele estava fechadão. Se abriu aos poucos. Algo balsâmico e certas especiarias apareceram. Mas nada muito exuberante no nariz. Muita madeira, taninos ainda existiam mas não incomodaram, eucalipto talvez.

Enfim, foi uma experiência bem interessante, o vinho não decepcionou mas certamente não agradará a muitos, seu estilo é bem distinto dos atuais vinhos do novo mundo.

Preço -> não faço idéia.

Site -> Wolf Blass

Nota -> 3.5 de 5