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sábado, 26 de novembro de 2016

Chile: Koyle Gran Reserva Carmenère 2012

Bonita cor entre púrpura e carmin. Aromas remetem a pimentão misturados com frutas vermelhas maduras. Na boca se torna refrescante, inicialmente algo próximo a pimenta e especiarias e termina bem frutado, pimentão do nariz não se confirma então se você foge desse tipo de sabor (não é meu caso), pode aproveitá-lo também.
 É um vinho muito gostoso de se beber, não é um Carmenère sobremaduro nem verde em excesso. 

Explora um lado muitas vezes menos explorado, com frescor em alta. Bons taninos, o vinho agradará facilmente à maioria dos paladares. Mais um vinho de los Lingues, notadamente a região premium para a Carmenère, dentro do vale do Colchagua, no Chile. Recomendo a visita, lá você encontrará a Koyle (com seus vinhedos biodinâmicos), Casa Silva, Viña Montes, entre outras.

 Very nice and round Carmenère, the famous bell pepper is straightforward in the nose but do not affects the palate, where its roundness and surprisingly acidity come after the black pepper and the berries, all of those make this wine a lightspeed ending one.

This one comes from Los Lingues, the place that almost every year shows all the beautiful characteristics of the long forgotten Carmenère.
 

Nota -> 4 de 5.

Preço -> bebido em restaurante, certamente acima dos R$120,00.

Site -> Koyle.


sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Marques de Casa Concha Carmenère 2009

A linha Marques de Casa Concha é a primeira linha séria da Concha Y Toro na minha opinião. Casilleros del Diablo são altamente bebíveis, Trio e a Serie Riberas trazem coisa boa de vez em quando, mas realmente a coisa fica séria a partir da Marques de Casa Concha.

O problema é que por aqui alcança um custo absurdo, quase três vezes mais os preços praticados no país de origem.

Bom, este tem uvas de Peumo, tida como a melhor região para a Carmenère para muita gente. Não esquecendo que encontramos muita coisa boa vinda do Colchagua (especialmente na microrregião de Apalta, com Viña Montes e um pouco mais longe com Casa Silva e Santa Helena) e do Aconcagua (Von Siebenthal principalmente).

Não é o top Carmenère da CyT, depois dele tem o famigerado Carmín de Peumo, tido algumas vezes pelo Descorchados como o melhor Carmenère do Chile.

Foi aberto antes da pizza que foi escoltada pelo Dal Pizzol Cabernet Sauvignon do post anterior.

Estava púrpura, escuro, denotando concentração. Engraçado que o halo já estava transparente.

Aromas tostados, defumados (caramba, carmenère defumada?), nada de herbáceos, muita fruta preta, baunilha. Taninos presentes, veludo puro. Leve acidez e chega a dar uma pequena impressão adocicada, mas passa longe de ser enjoativo, com um final bem gostoso e azedinho. Extremamente agradável, daqueles que todos vão beber com prazer.

Acho que agora estão vendendo a safra 2011...


Nota -> 4 de 5.

Preço -> Sei lá.

Site -> Concha y Toro.

P.S.: Este é o post de número 300 !!!

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Essência do Vinho Rio 2013 - Primeiro dia (quinta-feira)


Estive no evento no dia 02, quinta-feira, basicamente para comparecer ao painel 04, "Chile Wine Tour", onde o Alexandre Lalas daria uma palestra sobre o Chile e sua busca de identidade de seus vinhos, através de um panorama com 7 de seus melhores vinhos.

Cheguei um pouco cedo, resolvi dar uma passada nos stands, e provar alguma coisa sem exagerar, para não comprometer a noite, pois coisa muito boa estava planejada nessa palestra.

De quebra vi o stand da Cortes de Cima, o qual não pude resistir a visita. Gosto muito dos vinhos deles. Como não havia o Incognito, tampouco o Reserva para degustação, procurei o Petit Verdot e o Trincadeira, tendo sucesso apenas na segunda opção.

O Trincadeira é ótimo, muita fruta, redondo, agradabilíssimo. Um belo vinho. De quebra aproveitei para degustar novamente o Hans Christian Andersen, para mim a prova que concentração não necessariamente é sinônimo ou pré-requisito para um grande vinho. Nota 4 para o Trincadeira.

Pouco concentrado mas com incrível corpo, o vinho é muito bom, e seus aromas tostados permanecem vivos na taça um longo tempo após o término do caldo, bem como em boca sua persistência também é muito boa. Outro vinhaço deles. Nota 4,5 para ele.



Dali fui ao stand da Terramater. Lá, provei o Puro Instinto e o Sultán (acima), dois belos vinhos. O Puro Instinto custa cerca de R$200,00 no site da Terramater e é um blend com base Syrah muito gostoso, com Cab. Sauvignon e Franc em partes iguais (20%), e traz aquela potência dos grandes vinhos sulamericanos. É do Maipo Alto, com 18 meses de barrica de 1o uso. No site pelo boleto sai a R$175,12. Nota 4 de 5.

Já o Sultán (quem exerce o poder em árabe), com seus 97 ptos no concurso de enólogos do Chile e suas 3.925 garrafas, é um 70% Syrah com 15% de Malbec e 10% de Cabernet Franc, com 21 meses (!) de barricas francesas novas, oriundo do frio Casablanca. Muito mineral, no nariz o champignon toma conta. Depois de um tempinho surge uma fruta doce no fundo (no fundo?). Belíssimo vinho, boa acidez, e caro -> R$399,00. Nota 4,5 para o garoto, um vinho bem diferente e interessante.

Começo a ficar intrigado com os vales mais frios do Chile e seus vinhos, dois vinhos do Casablanca que também me trouxeram boas impressões foram os Loma Larga Malbec e Cabernet Franc. Outro que traz impressão correlata é o Kankana del Elqui, do vale del Elquí, com suas frias brisas marítimas.

Perto da hora de início, rumei para a sala 2 onde aconteceria o painel com os vinhos do Chile.

De quebra já fiquei um pouco chateado por conta do atraso de meia hora. Outro ponto que continua a me deixar profundamente chateado é a tremenda falta de educação do pessoal, que chega empurrando e forçando barra para aproximar-se, quase como competição. Enfm, não exaltemos as partes ruins.

Já devidamente sentado na mesa, gerenciando a expectativa...


O evento teve também a presença da Pedras Salgadas, água mineral natural de Portugal, naturalmente gasosa, igual à nossa querida São Lourenço. Gostei da água, embora bastante salgada (claro Felipe, olha o nome rs).

Bem, vamos aos vinhos.



O primeiro foi o Marina Sauvignon Blanc 2012 da Bravado Wines. A Bravado Wines é de um casal de enólogos (Felipe Garcia e sua esposa), oriundos de grandes vinícolas e que resolveram tocar o seu próprio projeto. De aspecto verdeal, com algo de mato (sério) no nariz, mas o maracujá dominante, coisa linda. Belíssimo vinho, acidez boa, sensação adocicada, muito bom mesmo.Me lembrou o Sauvignon Blanc da Chocalán, em um nível claramente superior porém.

100% S. Blanc, de 3 clones diferentes porém. 8715 garrafas. Bastante premiado:



O Lalas fez uma ótima observação: esse vinho consegue uma acidez que a maioria dos S. Blancs do Chile não consegue. Conseguiu me agradar mais que o S. Blanc da Vila Francioni, que havia provado anteriormente e gostado muito, estando os dois na mesma faixa de preço. Nota 4,5 de 5 pra ele.

O segundo vinho foi o Flaherty 2007, de base Syrah mas com boas partes de Cabernet Sauvignon e Tempranillo:



Cor de vinho evoluído, parecia um Porto ao ser vertido na taça, e no nariz. Depois modificou-se, aromas adocicados e em constante mutação. Boca rápida, bom vinho, interessante, gostei bastante no início, mas me decepcionou depois de um tempo. O Lalas o definiu como um vinho "sujo", e muitos informaram que esse vinho costuma confundir muita gente "expert". Começou muito bem mas terminou fraco na minha opinião. 3,5 de 5 pra ele.



O terceiro foi o Vigno. 100% Carignan do Maule, 30 meses de barricas francesas 25% novas, 90 ptos no Descorchados, feito pela Bravado Wines.  Fazem parte da Vignadores de Carignan, associação que vale ser conhecida. Bem escuro, um nariz meio chocolate, bom corpo, um vinho de presença em boca, ótima sensação de contato, ele realmente preenche a boca. Taninos perfeitos, e uma acidez boa também, que impede-o de se tornar chato. São 1.299 garrafas de vinhas de 54 anos de idade. Mais um belo vinho, 4 de 5 sua nota.



O quarto vinho me provocou um sorriso: Montelig! Aberto o 2004 no fim do ano passado, conquistou a todos os presentes, ofuscando um pouco o Pera Manca (ok, o portuga estava jovem ainda). Recebeu 92 ptos do RP e do descorchados, o que na minha modesta opinião é pouco. Como não ligo muito pro que eles falam, na minha opinião e na de muitos presentes o melhor vinho da noite. Composto de 40% Cabernet Sauvignon, e partes iguais de Petit Verdot e Carmenère, do Aconcagua, lar de grandes vinhos como o Seña e o Don Maximiano Founder's Reserve (os quais infelizmente ainda não provei). De aparência ainda jovem, nariz maravilhoso, delicado, em boca suave e agradável, mas com personalidade inconfundível. Confesso que era parecidíssimo com o 2004, embora com mais vigor e menos ervas. Sua estrutura é ótima, seu final memorável. Nota 5 de 5. Para muitos o melhor do Chile. Dentro do que já provei, o melhor do Chile e talvez o melhor de tudo que já bebi.

Partimos para o Amir (príncipe em árabe) 2008, do Maipo. 3.996 garrafas:



Base Cabernet Franc (50%), com boa parte de Syrah (40%) e traços de Petit Verdot e Malbec. Outro vinhaço! Já com aspecto evoluído (tem 21 meses de barricas), muita erva e fruta ao nariz, alguns condimentos também. Acidez agradável, concentrado, muito bom, "quase mastigável" foi a opinião do Lalas, imediatamente compartilhada. Junto com o Puro Instinto e o Sultán, esse é da Una Hectarea. Esse vinho é feito pelo Felipe Garcia, da Bravado Wines, o 3o com suas mãos do painel. Cara bom!

A Viña Una Hectarea é um projeto de um projeto familiar pertencente a um enófilo brasileiro, que arrenda terras de 1 Ha nos vales de Casablanca, Maipo Alto e Maule, e direciona esses vinhedos para produzir vinhos pessoais e únicos, pelas mãos de grandes enólogos.



O penúltimo vinho é o quase-lenda Toknar, 100% Petit Verdot de 24 meses de barricas francesas. Toknar significa pedra, e o vinho é muito potente, muitos taninos, muito boa acidez, quente, muito púrpura. Ao nariz um xaropão de frutas, muita madeira em boca, decantação obrigatória e muito, muito bom. Vinho para quem gosta de corpo, deve durar mais uns 10 anos. Repito: não é para os que preferem ou só gostam de delicadeza e elegância. Pelo menos, não por agora.


O último vinho foi o Tatay de Cristóbal. Vinho que já passa dos mil reais no site da Terramater, essa safra 2009 ganhou 93 do tio RP, enquanto a 2007 recebeu grandes 97. Muito jovem, muito "verde" na boca, mas delicioso! Cheiro literalmente de mato ao nariz! Também tem muita vida e incrível a quantidade de taninos desse Carmenère com 10% de Verdot.



No mais saí de lá satisfeito por conhecer os grandes da Siebenthal. Deles, só falta o Carabantes, de base Syrah com pequenas parcelas de Cabernet Sauvignon e Petit Verdot, mas esse vai aparecer aqui mais pra frente...

Agradecimentos ao meu amigo Osvaldo pelas fotos!

sexta-feira, 15 de março de 2013

Castillo Ducay 2011, Grey Carmenère 2010 e Quinta dos Bons Ventos Touriga Nacional 2008


Sexta-feira, dia de confraria 256. Fomos no excelente winebar que funciona aqui no 3o piso do Shopping Città America. Bons preços e boas opções, e boa comida.

Esse Castillo Ducay é novidade, toda a linha é recém-chegada no Brasil, um branco, um rosé, um tinto e um tinto Crianza.

Esse acima é o tinto, despretensioso mas interessante, de entrada doce, bons aromas de frutas vermelhas, acidez leve, textura elegante e final honesto. Por R$35,00 uma bela pedida, inclusive para quem está começando no mundo dos vinhos.



A coisa ficou séria e partimos para o Grey, que o Sandro já estava namorando há tempos.

Ao ser aberto, foi rapidamente para as taças e ao chegar no nariz - que surpresa! Um carmenère de flores! Rosas foi o nome mais votado, belíssimo aroma adocicado. Em algum momento pude notar algo semelhante a hortelã, para logo depois um breve herbáceo e ao final a barrica se revelar de forma elegante, sem tomar conta do conjunto. Talvez côco (rs). Na boca, perfeito. Talvez um cadinho de nada mais acidez, porém acidez na cepa é um pouco complicado, tira outras qualidades quase sempre. Quer saber? Não mexam nele, está ótimo do jeito que está. R$88,00 realezas.


Dois posts para trás comentei sobre o Quinta dos Bons Ventos 2010. Vinho de entrada da Casa Santos Lima, da região de Lisboa, uma ótima opção na faixa dos R$30,00 para todos os gostos (mortais).

Dessa vez, abrimos o irmão mais velho dele. Confesso ser meu primeiro 100% Touriga Nacional e: gostei! De estilo fechadão, mais austero, foi se abrindo aos poucos. Mostrou o DNA portuga, algo de frutas pretas e aquele velho ar de antigão, apesar de ser jovem. Dá uma limpada na boca, mostra os taninos mas não incomoda. Um belo vinho e valeu os R$65,00 pagos por ele.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Viña Von Siebenthal Carmenère 2009




A Viña von Siebenthal atualmente é considerada a melhor do Chile por diversos "especialistas". É projeto de um advogado Suíço, que tornou-se realidade com a ajuda financeira de 4 amigos. Localiza-se no vale do Aconcágua, ao norte de Santiago. A amplitude térmica é grande, o vale é clasificado como quente, do mesmo nível do Colchagua e Maipo, e eles plantam além da Carmenère, Petit Verdot, Syrah, Merlot, Cabernet Sauvignon e Cabernet Franc.

Seus vinhos são muito bem pontuados, mas eu particularmente já não me guio mais pelas notas de RP, WS, WE e cia., mas sim pela forma como a vinícola se apresenta e diz tratar os seus vinhos. O que tenho buscado é justamente a especificidade dos vinhos de cada uma, nunca com preconceitos e notas em mente. Pra mim, o que vale é admirar as diferenças de uma mesma uva em lugares diferentes ou ainda o que o terroir tem a nos oferecer.

O pessoal do RP por exemplo tem dado notas significativas para os vinhos do Rhône em geral e para os da região de Penèdes na Espanha. Eu já não sou fã dessas regiões. Fora a fofoca de que hoje em dia eles levantam e derrubam quem quiserem. E desconfio que Penèdes quer seu lugar ao sol.

Deixando de lado as presunções e notas, em 10 de julho a confraria se reuniu para abrir este carmenère acima. Demorei a postar sobre ele porque, sinceramente, não achei minhas anotações. Mas achei a foto, então, realmente deu vontade de falar sobre ele, pelo menos sobre o que eu me lembro.

O vinho é bem concentrado, bem escuro, seus aromas apresentaram especiarias diversas, e muita fruta vermelha. A família dos tostados não apareceu muito, realmente as especiarias dominaram.

Em boca elas também tomaram conta, e até um chocolatinho apareceu, muito suave. A acidez é muito boa e o final longo. Os taninos são um capítulo à parte, o vinho é bem elegante. Exatamente a qualidade que tem sido realçada pelos pontuadores.

Um grande Carmenère, muito gostoso, pra mim situa-se ao lado do Purple Angel (mais caro), e do Gran Reserva Los Lingues (mesma faixa de preço). Dá pra beber agora mas se deixar guardado mais um pouco, acredito que ele desenvolverá melhor os aromas.

O pessoal da confra tá com uma quedinha pelo Carmenère. Tentei puxá-los para o Syrah, mas tô vendo que a briga vai ser feia.

Site -> Viña von Siebenthal

Preço -> não lembro mas na faixa dos R$80,00 na Lidador

Nota -> 4.5 de 5

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Almoço do dia dos amigos

Mais uma reunião da confraria, e por coincidência no dia do amigo. Abrimos os seguintes exemplares:


Já havia bebido o Lidio Carraro Grande Vindima Merlot 2005 o qual gostei bastante. Uma promoção recebida através do email, promovida pelo Sonoma, nos levou a adquirir este exemplar.

Bem, o 2004 estava na sua descendente, mas bem lá embaixo, morrendo. Uma pena. Nem de longe lembrou o irmão mais novo.

Já o Casa Silva Reserva Carmenère 2009 estava vivo, bem vivo, púrpura, frutadão e ainda queimando de leve a boca. Mas melhorou bastante com o tempo em taça, voltando a incomodar um pouco quando esquentou. Uma boa opção para o cotidiano, principalmente pra quem está iniciando, começando a conhecer os vinhos.

Realmente a Casa Silva apresenta rótulos muito bons no topo e muito honestos nas linhas de entrada, não deixando insatisfação nos clientes. Mas eu deixaria esse dormir mais um aninho.

Notas -> Lidio Carraro Grande Vindima Merlot 2004: 2 de 5.
               Casa Silva Reserva Carmenère 2009: 3.5 de 5.

Preços -> Lidio Carraro Grande Vindima Merlot 2004: R$ 66,00 sem o frete no Sonoma.
                Casa Silva Reserva Carmenère 2009: presente do colega confrade Marcello.