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sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Portugal: Ciconia Tinto 2015 #CBE

Post atrasado, tema de julho, já havia bebido esse vinho e muito me agradou, continuou a agradar. O tema foi dos colegas Maykel e Anna do Vinho por 2. "No ano de 2016 o segundo maior importador de vinhos do Brasil foi um supermercado. Por isso, nada melhor do que comentarmos o que tem de bacana nas gôndolas, falando de qualquer tipo de vinho, de qualquer faixa de preço, que seja encontrado em supermercado".

Este vinho foi comprado num mercado da rede Hortifrutti. Touriga Nacional, Syrah e Aragonez dão cor púrpura com traços rubi, fazem um grupo de uvas com muitos aromas de frutas vermelhas e frescas, mas como se ainda não estivessem totalmente maduras, interessante. Ainda se pesca um tostadinho e talvez um floral de leve...
Na boca é bem fresco, fluido, taninos educados e final curto. Mais frutinhas e algo levemente apimentado. Gostoso o vinho, se dá muito bem com comida e é ótima pedida pra um pizza mais "forte" na minha opinião.

Touriga nacional, Syrah and Aragonez (also called Tinta Roriz in Portugal and is the same as Tempranillo in Spain) make a purple ruby hinted fluid, not very concentrated, showing many and beautiful red fruit on the nose, sometimes lightly toasted. This is the main quality of this wine.
The mouth comes fresh and fast, bringing more fruits and pepper. Interesting, good for food and maybe very good for pizza.


Nota -> 3.5 de 5.

Preço -> cerca de R$60, é importado pela Cantu.

Site -> Herdade São Miguel.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Portugal: Casa das Mouras Reserva Tinto 2012 #CBE

Vinho bebido para a postagem da CBE para o mês de agosto, o tema foi proposto pelo Gil do ótimo Vinho para Todos: um tinto do Douro. Todo dia primeiro de cada mês há um novo tema desta que é a mais antiga confraria virtual em atividade no Brasil!
Digo e repito: os vinhos da península Ibérica têm um lugar especial no meu coração. Mas esse me deixou um pouco chateado, acredito que não tenha sido armazenado corretamente pois já havia provado esse vinho em outra ocasião e havia me dado uma impressão muito boa.

Bom, Touriga Nacional+Touriga Franca+Tinta Roriz descansam 12 meses em barris franceses; com 5 anos ainda apresentou uma cor violeta, digna de um garoto. O nariz trouxe frutas vermelhas maduras e um fundo suave de baunilha, mas todos muito tênues. Na boca uma lembrança meio balsâmica junto às frutas, taninos já macios porém presentes, e um final que parece ser comprido mas termina antes do que ensaiou.

O rótulo achei bonito e representa a visão do artista Nuno Barreto sobre a propriedade.

Touriga Nacional, Touriga Franca and Tinta Roriz (also known as Aragonez and Tempranillo), 12 months ageing in french oak barrels. Violet colour, berries dominating the aroma with a soft vanilla background, sometimes you taste something balsamic. Fine tannins with a medium length finish. I was expecting more but maybe it was not well maintained, as I did not bought it from a wine store but from a supermarket and here in Brazil not all of them give the proper attention to the bottles.


Nota -> 3 de 5.

Preço -> R$99,00 no Hortifrutti.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

França: Réserve Sainte-Anne Picpoul de Pinet 2015 #CBE

Para o tema de janeiro da CBE (a confraria brasileira de enoblogs, que em fevereiro completará dez anos!), o Victor do Balaio do Victor pediu que provássemos um vinho de um país que nunca houvéssemos provado, branco ou tinto, propondo harmonização se possível.
Alguns confrades solicitaram que o tema fosse ampliado, e eu particularmente pedi que incluísse regiões que nunca provamos, para facilitar um pouco. Embarquei nessa solicitação e provei esse ótimo branco francês.

Feito com a Picpoul de Pinet, muito conhecida também como Picpoul Blanc, é uma uva plantada praticamente só na França na região conhecida como Languedoc-Roussilon, a despeito de algumas tentativas nos EUA e poucas áreas em Portugal e Espanha, onde são conhecidas com outros nomes (Avello e Picapoll).

Pic-poul é entendido como pica-lábio, esse nome lhe foi dado por conta de sua elevada acidez. Esse vinho especificamente tinha uma ótima acidez combinada a bastante frutas cítricas, num belo conjunto de boca, tudo belamente encaixado e que surpreendeu após os delicados aromas florais e da bela cor amarela apresentada em taça.

Deve ser bebido mais frio que de costume, o que foi bem providenciado pelo balde de gelo, e de preferência ainda jovem. Este vinho foi maravilhosamente harmonizado com um halibute e logo após com uma excelente e variada tábua de queijos!

This is a wine from a grape never proven before - and I really appreciated it! This picpoul de pinet (or picpoul blanc as well) comes from Languedoc-Roussilon, and translates literally as 'stings the lip'. Approaches to a golden yellow in glass, delicate and pleasant floral notes, fresh and elegant in mouth with great and surprisingly well-placed acidity. Absolutely great with fish and with cheese. Another blog that tasted it: Wildcard.


Nota -> 4 de 5.

Preço -> £25

Site -> ???

domingo, 4 de dezembro de 2016

Portugal: Vinha do Putto 2010 #CBE

Para o mês de dezembro, o tema da Confraria Brasileira de Enoblogs foi proposto por mim - que honra!

Como nesse mês de dezembro muitos de nós optamos por saborear um belo prato de bacalhau, e como na maior parte do Brasil é uma noite quente, pedi ao pessoal que encontrassem um vinho branco português, se possível da uva Arinto ou com ela na composição.

Escolhi o Vinha do Putto, do produtor Campolargo. Feito com Verdelho e Arinto, Putto
no interior de Portugal quer dizer garoto, criança. Mas esse delicioso branco nada tem de criança.

Amarelo dourado na taça, aromas muito interessantes onde se misturam manteiga, baunilha leve e frutas brancas, bem semelhante a pêssego. Na boca untuoso, certa cremosidade, boa estrutura para um branco, muito boa acidez mesmo após esses anos e aquela mineralidade autenticamente portuguesa.

Como eu disse, de criança esse vinho não tem nada, é um belo exemplar branco de Portugal. Vai combinar bem com um prato de bacalhau em lascas, à Lagareira ou com batatas aos murros.


Nota -> 4 de 5.

Preço -> R$ 81,90 na Mistral.

Site -> Campolargo.

sábado, 5 de novembro de 2016

Brasil: Aracuri Chardonnay 2013 #CBE

Para o post do mês de novembro da CBE, nossa querida confraria brasileira de enoblogs, a mais antiga em atividade, o tema foi proposto pela Fabiana do escrivinhos: garimpar um vinho legal até R$40,00.

Bom, como costumo não deixar passar oportunidades desse tipo, tinha aqui uma bela carta na manga: este Aracuri Chardonnay que me custou R$39,90, no limite do valor estipulado!

De um amarelo forte, aromas cítricos com traços doces, este vinho tem 10% de sua composição passando em barricas, o que agregou essas nuances doces tanto no nariz quanto na boca sem alterar suas características de frutas brancas e cítricas. Interessante, precisou de um tempinho pra se mostrar. A acidez é muito boa, faz salivar. Funciona bem sozinho também.

A Aracuri tem apresentado excelentes vinhos, tranquilos e espumantes, e se localiza em Campos de Cima da Serra, uma região bem fria que fica mais ou menos no meio do caminho entre São Joaquim e Bento Gonçalves, forçando uma barra no mapa :-)

Very interesting brazilian chardonnay from its colder region. Only 10% in barrels gave it sweet/lacteous hints in nose, followed by citric/tropical fruit. In mouth less milky, still fruits and vanilla too, good acidity makes you salivate. Takes some time to show itself.

Nota -> 3.5 de 5.

Preço -> R$39,90 (promoção).

Site -> Aracuri.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Brasil: Dom de Minas Syrah 2013 #CBE

Todo dia primeiro é dia de escrever sobre um tema escolhido por um colega confrade da Confraria Brasileira de Enoblogs, a mais antiga confraria virtual do Brasil, que está no ar desde fevereiro de 2007.

Para o mês de Setembro a escolha foi do confrade Evandro Vanti (Vinhos que Provo), fazer a indicação: "um Syrah / Shiraz do novo mundo, sem limite de preço. Vale um 100% ou um corte, desde que a maior parcela seja dessa uva".

Meu escolhido foi o Dom de Minas Syrah, uma uva que tem participado das novas experiências pelo Brasil afora (Minas, Goiás, interior de São Paulo) e que tem respondido à altura da dedicação do pessoal focado em expandir as fronteiras vitivinícolas brasileiras. 

É leve, vermelho sangue com halo transparente. Frutas vermelhas (cassis, cereja), algo mais doce que não consegui divisar. Na boca voltam as frutas, traços de especiarias, textura de sangue, taninos já caminhando para algo bem aveludado, final seca bem a boca, com novamente um traço meio adocicado. Leve acidez. Quando esquenta o álcool incomoda um pouco.

Já conhecia o ótimo Sauvignon Blanc deles. Agora viso o Cabernet Franc.

This is for the Enobloggers fraternity, as told before on another post. This is a Syrah from a new wine region here in Brazil, where the winemakers had inverted the grapevine cycle, by pruning it. Ruby red, evolved wine appearance but fruity on the nose, something sweet too. In mouth the fruits come back (cassis, cherry), spices, blood texture and almost silky tannins. Very dry in the end, something sweet come forth again. Light acidity. They have a beautiful Sauvignon Blanc and I am really interested in their Cabernet Franc.


Nota -> 3.5 de 5.

Preço -> cerca de R$ 50.

Site -> Dom de Minas.

sábado, 13 de agosto de 2016

Brasil: Casa Valduga RSV Brut Rosé 2013 #CBE

Todo dia primeiro é dia de escrever sobre um tema escolhido por um colega confrade da Confraria Brasileira de Enoblogs,

A Confraria Brasileira de Enoblogs é a mais antiga confraria virtual do Brasil, está no ar desde fevereiro de 2007.

Para o mês de Agosto (esse post está atrasado), a escolha foi do confrade Marcello Galvão, que escolheu assim: "Pensei bastante no tema, e vou aproveitar que a temperatura subiu bastante aqui no Rio de Janeiro, pra sugerir uma bebida que muito me agrada. Espumante Brut Rosé do novo mundo elaborado pelo método tradicional. Sem faixa de preço."

Escolhi o Casa Valduga Blush, um rosé feito pelo método tradicional, 50% de Pinot Noir e Chardonnay. Bem límpido, de cor rosa pálido, nariz de frutas secas, notas que lembram pão e leve amateigado, perceptível também no paladar. Leve acidez, seca a boca carinhosamente. Perlage fino e discreto, mas persistente. Cremosidade gostosa, um espumante delicado, aprovado, recomendado e que eu ainda não havia provado.

Se você acha que só champagne presta, recomento começar a mudar seus conceitos, pois o espumante nacional é bom já há bastante tempo, e vem melhorando consistentemente.

I am a participant of a virtual fraternity of enobloggers, and once a month we write about a wine based on one component's choice.

This is a half Pinot Noir half Chardonnay brazilian brut rosé sparkling wine, very clean and pale pink in glass. The nose brings dried fruits, bread and butter. The mouth repeats everything increasing the butter feeling, drying your mouth with gentle acidity. Delicate, fresh, well-done and approved by this blogger and his wife!

If you, my foreign reader, find one of this in your preferred supermarket, give it a try and come here to tell me about it, it is very consistent in quality.


Nota -> 4 de 5.

Preço -> R$59,90 no Hortifrutti.

Site -> Casa Valduga.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Chile: Calicanto 2013 #CBE

Como todo dia primeiro, hoje é dia de post para a nossa querida CBE.

O tema do mês foi proposto pelo colega Luis Cola: um tinto encorpado de inverno até R$100,00.

Pois bem, o vinho que escolhi hoje já passa dos R$100,00, mas se encaixou quando foi comprado/bebido rs.

Este vinho é produzido pela Viña El Principal, no sopé dos Andes, no vale do Maipo. Vinhedos a 770m de altitude, numa pequena área do referido vale chamada de Pirque. Envelhecido por 12 meses em barricas de carvalho.

Metade do vinho é de Cabernet Sauvignon, sendo completado por 29% de Carmenère, 11% Syrah e o restante de Petit Verdot e Cabernet Franc. O resultado é um caldo retinto, de movimentos leitosos em taça, que exala uma profusão de aromas de frutas, especiarias, baunilha, lácteos, compota.

Na boca, a confirmação dos olhos e nariz, num conjunto de corpo e taninos sedosos e educados, o vinho é realmente uma seda, chegando a ser quase doce mas sem se tornar enjoativo, uma ótima sensação.

Em tempo: Calicanto é o nome da primeira ponte construída sobre o rio Mapocho, onde ao seu redor desenvolveu-se um dos primeiros centros de comércio do vinho chileno.

This is simply the most in-mouth-velvet-like-wine I had tasted until now. Flowing almost like milk in glass, with a dominant purple color, it had presented me hints of  sweet red fruits, spices, lacteous, compote. Polite tannins, bold, silky. Very nice and round.


Nota -> 4 de 5.

Preço -> R$?

Site -> Viña El Principal.

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Uruguai: Jano Tannat 2011 #CBE [English below]

Para o mês de Março, o tema da nossa querida confraria virtual foi “Tannat uruguaio, em qualquer faixa de preços” - sugerido pelos simpáticos Maykel e Anna do Vinho por 2.

Como sou um grande fã dos vinhos feitos com a uva, me alegrei e optei por abrir um vinho que me atiçava a curiosidade já há um tempinho.


Na taça, púrpura com o halo bem clarinho, o conjunto todo caminhando para um vermelho respeitável. No nariz, ervas secas envolvendo umas frutas ao fundo, talvez chocolate.

Na boca mais ervas secas, taninos presentes, bem seco; mas sabe aquele vinho que você não consegue entendê-lo? Ou defini-lo? Pois é, fiquei um pouco confuso. Não sei se por ter criado expectativa, ou se por ser fã de Tannat e não ter nele encontrado o que eu tanto gosto, fato é que achei o vinho meio "perdido". Minhas últimas conclusões acerca do ocorrido foi que de alguma forma fui contemplado com uma garrafa que por algum motivo estava ruim, haja vista a enorme rede de elogios feita a esse vinho pela rede, e inclusive figurou bem recomendado no Descorchados de 2013.

São apenas 2000 garrafas (as safras seguintes são bem maiores), e segundo está escrito possui um potencial de 12 anos. O nível alcoólico é mais baixo mas achei muito perceptível.

A very confusing uruguaian Tannat, with lots of dried herbs on the nose and palate, some fruit spotted somewhere between or behind the herbs.


Less alcohol than the common Tannat, a little confused in mouth, as if things were a little messed up. Maybe it was the bottle, since I have read good comments on it lately (Guía Descorchados 2013 for instance).



Nota (points) -> 3 de 5.

Preço -> R$149,9 (US$37)


domingo, 22 de maio de 2016

Chile: Viu Manent Malbec Rosé 2014 #CBE [English below]

Para o mês de maio, o tema da Confraria Brasileira de Enoblogs foi proposto pela nossa querida confrade Alessandra Esteves DipWSET : "Vinho rosé, de qualquer país, uva ou faixa de preço... mas, acompanhado de uma sugestão de harmonização (de preferência com foto), para mostrar a versatilidade desses vinhos".

Meu escolhido foi o Viu Manent Malbec Rosé, e o desafio foi pareá-lo com tacos!

O primeiro vinho que bebi da Viu Manent foi um Chardonnay, que me surpreendeu muito positivamente. Desde então, seus vinhos não deixaram a desejar.

E foi o caso deste Malbec Rosé. A Malbec na minha opinião "funciona" muito bem nos rosés, e sinceramente acho que deveria ser um pouquinho mais bem explorada nesse sentido.

Outro recado pra você que gosta da Malbec, prove os vinhos feitos com ela vindos do Chile. São bem interessantes.

Além da bonita e forte cor rosa, seus aromas delicados remeteram a frutas pequenas e ácidas e algo floral, num vinho extremamente agradável, fresco, com uma leve adstringência que ajudou muito na harmonização com os tacos. Seu final não é looongo, mas é bem honesto.

Não tirei a foto do vinho junto com o prato (desculpa Alê) mas posso dizer: funcionou bem até o vinho esquentar um pouquinho, quando o álcool apareceu bastante, e quando fui premiado com um pedaço bem apimentado de frango.

Esse na verdade é um desafio grande ao meu paladar: harmonização com pratos apimentados. Sinceramente acho bem difícil.

A very nice Malbec Rosé from Viu Manent, a winery that has showed me nice white wines and now a beautiful rosé.

No, this is not a Argentinian Malbec but a Chilean one. Yes, they do grow Malbec in Chile. And it is slightly different, if you are a big fan of the ones from La Plata land, got to prove it from the other side of the Andes mountains.

For me, Malbec goes really well in rosé style.

Besides this nice and vivid color, we find delicate flowers and small acid fruits aromas. Very pleasant, fresh and finishes with a light astringency.


Nota (points) -> 3.5 de 5

Preço -> R$59,9 (US$15)

Site -> Viu Manent.


quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Meu tema para a #CBE: Cabernet Franc! Logis de la Bouchardière



Pessoal, no início do mês fui surpreendido pelo Alexandre dizendo: "Esse mês você escolhe o tema".

Sou um fã confesso da Cabernet Franc e da Sauvignon Blanc. O lado herbáceo e o frescor das duas me agrada muito.

No último ano bebi muitos Sauvignon Blanc mas poucos Cabernet Franc. Não há muitos disponíveis no mercado brasileiro mas toda vez que abro um, não me arrependo. E ainda sonho com o Cheval Blanc...

Pois bem, não pensei duas vezes e dei o tema ao Alexandre.

A Cabernet Franc tem estado na mídia especializada, principalmente na Argentina, depois que o Alejandro Vigil, enólogo chefe da Catena e um cara pessoalmente muito simpático e atencioso (conheci-o no encontro Mistral) conseguiu a maior nota já dada pelo tio Parker para um vinho com ela.

E não parou por aí, a Decanter Magazine também ressaltou seus vinhos e blends com a Cabernet Franc, e recentemente a Wines of Argentina organizou um painel de degustação somente com exemplares feitos com a uva.

O lado bom? Mais opções! O lado ruim? Preço subindo...

Claro que já havia bastante coisa além da dele, Humberto Canale, Pulenta, Lamadrid, tem bastante gente já lançando um aqui outro acolá com a uva. Parece que a Argentina busca alternativas à Malbec.

Mas deixemos isso de lado e falemos do vinho.

Escolhi um tradicional Chinon, para muitos a região-lar da Cabernet Franc.

O vinho tem um visual bem rubi, a impressão é de que a cor é mais evoluída que o vinho. Não é muito translúcido e parece até meio opaco, desconfiei de algo em suspensão mas infelizmente não pude decantar. Poucas lágrimas.

O nariz traz fruta bem fresca, chega até a dar um leve suadinho, e o indefectível pimentão verde. Algo de tostado no ar também dá as caras.

Na boca um corpo médio, acidez leve, frescor em alta e taninos bem presentes. Álcool bem integrado, o final é médio e traz um gosto meio tostado, achei um pouco estranho por conta do pouco tempo de barrica (4-6 meses), não me incomodou mas certamente incomodará os paladares mais delicados.

Um vinho bem clássico, e interessante. Uma pena custar tanto aqui no Brasil...


Nota -> 3.5 de 5.

Preço -> R$95,00 na Grand Cru.

Site -> Serge et Bruno Sourdais

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Hartenberg Weisser Riesling 2008 #CBE


Todo dia primeiro de cada mês é dia do post sobre o vinho escolhido por um confrade a confraria brasileira de enoblogs.

Para o feriado do dia do trabalho, o vinho a ser degustado foi escolhido pela confrade Evelyn Fligeri, e consistia em um vinho com a uva Riesling.

Não é muito fácil termos diversidade em se tratando de Riesling, pelo menos no Rio de Janeiro. Tanto que aqui estou eu escrevendo o post e o vinho que escolhi foi escolhido também por outro confrade, o Jonas do Simplificando o Vinho. Fora essa, os confrades Jorge e Juliana também acabaram por escrever sobre o mesmo vinho.

A Riesling é uma variedade de casca fina, acredita-se que sua origem seja a Alemanha e para muitos críticos é a variedade branca mais requintada. O país que mais tem área plantada é a Alemanha, seguida dos EUA (!), França e Australia. A Austria, conhecida por ter bons exemplares, por incrível que pareça é a quinta, logo após a Australia. A África do Sul, terra desse que bebi, e o Brasil, ficam agrupados no "outros".

Mas não se enganem: não é muito plantada, e fora da Alemanha, França (Alsácia, que um dia foi território alemão e onde a Riesling é a rainha, de onde para muitos saem os melhores exemplares feitos com a uva), e Austria é difícil encontrar um bom exemplar.

O termo Weisser apenas tenta referenciar a origem germânica da cepa, visto que existem muitos clones, inclusive um de casca avermelhada, e até variedades que possuem o nome "Riesling" mas não são parentes dela, como a Riesling Itálico por exemplo.

Confesso que procurei um vinho brasileiro, mas infelizmente não o encontrei. O último Riesling que bebi foi o Leyda Single Vineyard Neblina Riesling. Esse agora eu encontrei na adega bistrô em Itaipava, e não hesitei em comprá-lo, mesmo sendo de 2008, o que ligou meu desconfiômetro.

Mas vamos ao que interessa, pois gostei do tema. Acho que realmente vale a pena sair do lugar comum, e pelo que tenho lido dos blogs dos colegas, o pessoal está realmente ampliando bem os horizontes no quesito vinho.

Na taça tinha essa bela cor aí:


Ao nariz, diferentemente do comumente atribuído, encontrei frutas de leve, além de uns traços minerais e alguma coisa tostada e "adocicada", uns traços meio amanteigados ou coisa parecida.

Na boca se mostrou um vinho agradável, a acidez característica balanceada com o dulçor passou longe infelizmente, deixando apenas a sensação doce e um finzinho meio amargo, com uma impressão de calda queimada.

Não foi uma experiência ruim, mas sinceramente parece que já teve o seu tempo, contrariando a fama de envelhecerem bem dos bons vinhos feitos com a uva.

Nota -> 3 de 5.

Preço -> R$60,00 na adega bistrô, em Itaipava. Você pode encontrá-lo aqui mas achei caro.

Site -> Hartenberg Estate.

Fontes -> livros sobre vinhos, wikipedia e sites na internet.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Bodega Vieja 2012 Sauvignon Blanc + Semillon #CBE


O colega Deco Rossi escolheu o tema do mês e lá fomos nós: vinho branco de corte de qualquer faixa de preço.

Esse vinho surgiu meio que sem querer, numa noite quente escoltando uma pizza vege.

É um corte que pode ser bastante encontrado em Bordeaux, porém nunca havia bebido e não sabia que no Chile o pessoal fazia.

Os aromas herbáceos da Sauvignon Blanc foram mais ou menos domados pela Semillon, a fruta sobressaiu. Em boca também, embora haja acidez e o finalzinho mais uma vez é daqueles vinhos que caminham mais para uma seara de meio-seco (pelo menos na sensação de boca).

Agradou, deu conta do recado numa sexta-feira e me fez relaxar para terminar bem o dia, ganhando a aprovação também da minha amada Isis.

Nota -> 3 de 5.

Preço -> R$ não me lembro.

Site -> Ochagavia. Estranho que não o vi na lista de produtos da casa.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Leyda Single Vineyard Las Brisas Pinot Noir 2012 #CBE


Nosso colega Tiago Bulla do blog Universo dos vinhos disparou: "Pinot Noir chileno sem limite de preço."

Bem, missão dada é missão cumprida. Lá vamos nós para o post da CBE para o mês.

De quebra, peguei mais um Single Vineyard da Leyda. Acima deste há o Lot 21, que foi bastante elogiado já. Mas como infelizmente o preço dessas séries especiais aqui no Brasil se torna exorbitante, optei pelo Single Vineyard, de qualidade incontestável visto os outros da mesma linha que já bebi.

Além desse vinhedo Las Brisas, que pelo próprio nome já podemos concluir que recebe as frias brisas do Pacífico, regulando a temperatura do vale, há também o Cahuil, que significa "lugar de gaivotas".

Bom, este Pinot Noir chileno de excelente qualidade apresentou uma cor vermelho-sangue escuro na taça. Muita fruta fresca ao nariz, bem intenso, e algo de ervas bem de leve. Na boca mineralidade, mais fruta, taninos mais marcantes que o comum em outros Pinot Noir(s) mas que em nada incomodaram. Ele não dá a impressão de ter corpo, mas na boca se percebe. Frescor! Muito frescor.

Álcool bem integrado, confesso que depois de dois dias fechado na geladeira após eu ter dado uma provadinha de leve fez muito bem a ele.

Esse é o primeiro Pinot Noir do Chile que posso dizer: gostei.

Um vez que já ando passeando de forma quase que profissional pelas linhas da Leyda, talvez eu siga pro Cahuil e quem sabe pro Lot 21. 

Nota -> 4 de 5.

Preço -> R$99,00 na Grand Cru.

Site -> Leyda.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Um rosé do velho mundo para a #CBE: Chêne Saint-Louis Sancerre 2011


O tema da CBE - confraria brasileira de enoblogs - de outubro foi escolhido pelo colega Alexandre Frias, que nos pediu para escrevermos (depois de provarmos - claro) nossas impressões sobre um Rosé do velho mundo, para aproveitar o início da primavera.

Bem, não sou um grande conhecedor de Rosés, embora eu tenha aberto um da VF recentemente, após prová-lo numa degustação deles na SBAV-Rio, e tenha agradado bastante a mim e à minha querida Isis.

Bom, este nosso amigo aí de cima eu trouxe diretamente de Sancerre - uma bela cidade, situada no alto de uma colina - para muitos região berço da nossa querida Sauvignon Blanc.


Fica ao lado (do outro lado do rio) de Pouilly-sur-Loire.



Conheci-o numa degustação dos vinhos da região, uma boa parte deles é engarrafado na Cave des Vins de Sancerre, uma cooperativa dos produtores da região, que é basicamente composta de pequenos produtores familiares, que vão surgindo à beira da estrada. Um belo lugar onde podemos ficar a tarde inteira provando os vinhos.

Pois então, o Chêne Saint-Louis na taça se mostra num rosado meio cobreado, uma cor muito bonita.

Ao nariz, toques florais e de frutas, aromas bem agradáveis. De boa intensidade, conquistam de cara.

Na boca mais corpo do que esperava, mas de forma alguma incômodo ou pesado. Muito fresco, repete as frutas na boca e o final é marcante.

Esquentou um pouquinho e o álcool apareceu de leve, mas isso foi rapidamente resolvido.

Nota -> 4 de 5.

Preço -> € 6,00 !!!

Site -> Cave des Vins de Sancerre (ainda não está lá pois é lançamento).

domingo, 1 de setembro de 2013

Cartuxa Colheita Branco 2010 #CBE


E lá vamos nós para o segundo post da Confraria Brasileira de Enoblogs.

O tema desse mês foi proposto pelo Cristiano do Vivendo Vinhos: "Chegou a minha vez de indicar o tema do mês, e como agosto é mês dos pais, e o meu como todo bom gaúcho gosta de chimarrão e churrasco, pegunto aos amigos: Qual vinho do Velho Mundo vc abriria com um bom Churrasco??? Até R$ 150".

Pois bem, eu como não como mais carne vermelha, tive que optar por algo assim mais alternativo.

Depois da devida autorização do Cristiano (rs) quem foi pra grelha foi um belo peixe. E para acompanhar, um clássico alentejano: Cartuxa Colheita Branco.

Este vinho associa a sua qualidade ao nome dos monges Cartuxos, que desde 1587 levam uma vida solitária de oração no Convento de Santa Maria Scala Coeli, em Évora. Foi produzido pela primeira vez em 1986.

Feito com as uvas Arinto e Antão Vaz, é fermentado em cubas de inox e tem estágio de 10 meses sobre borras finas com bâtonnage regular.

Se você quer saber o que é bâtonnage, dê uma passadinha nesse post do MondoVinho.

É um vinho que demora a se abrir, fechadão, de um amarelo bem claro e bonito. Mas depois traz aromas frutados bem suaves, com um fundo doce.

Na boca é que ele se mostra, tem bom corpo, acidez chama a atenção e há uma presença mineral, com o famoso azedinho dos portugas do Alentejo, que fica na boca e mostra que se trata de um belo vinho. Muito boa a persistência.

Mais classudo que o comumente encontrado, eu realmente acho os brancos portugueses muito bons. A Isis adorou.

Deu conta do peixe direitinho, na verdade, roubou a cena.



Nota -> 4 de 5.

Preço -> não lembro mas é mais difícil encontrar o branco que seu irmão tinto; o tinto está em praticamente todos os mercados que têm adega ou algo do tipo aqui no Rio de Janeiro.
No site garrafeira nacional sai a ótimos 7,90 euros. Até quando seremos acharcados?

Site -> Cartuxa.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Cavallotti Gavi 2009 #CBE


O tema da confraria brasileira de enoblogs do mês de julho foi proposto pela Fabiana do escrivinhos: "A ideia é abrir um vinho sobre o qual você não tem muitas referências, mas que 'foi com a cara' dele pelo seu visual."

Confesso que ainda não havia escolhido um vinho para figurar nesse post mas, eis que no dia 27, quase em cima da hora, surgiu!

Não costumo comprar as coisas muito pela aparência, há todo um estudo e avaliação, inclusive passeio pelos blogs de vocês queridos colegas. Nada é feito assim de repente no meu enomundo rs.

Caminhando com a Isis no sábado desse feriado papal, passamos em frente ao Carlsson, lugar que ela me apresentou e fez questão de afirmar que havia uma boa carta de vinhos, a qual fiquei interessado em conhecer. Abri, li, procurei alguma coisa interessante e deparei com esse Cavallotti Gavi. Imediatamente nos trouxeram a garrafa, e foi aí que ele se credenciou para ser o escolhido da CBE para o mês de julho. 

Não conhecia essa D.O. italiana, muito menos a uva (100% Cortese), mas achamos o rótulo interessante com essa mulher meio medusa (rs) e decidimos encará-lo.

Relativamente um branco "coroa" (era 2009 a safra), confesso que vi a chance ir por água abaixo ao notar a rolha com aparência mofada.

Após a retirada:


Vinho servido, aromas adocicados de baunilha e algo como mel. Já bem amarelo, porém brilhante ainda.

Na boca boa estrutura, acidez no ponto, e um leve e interessante amargor, algo mineral também. Uma pena que no fim ficou um pouco enjoativo, mas não sei se pelo fato de termos comido demais um pouco antes.

Esse leve amargor é característica da uva, após vasta pesquisa pela nossa também vasta internet.

Sobrou um pouco (1/2 taça) que levamos para casa e bebemos no dia seguinte; continuou na mesma "pegada".


Este vinho é produzido em Calamandrana, na região do Piemonte, na província de Asti, numa área de solos vulcânicos.


É um bom vinho e mais interessante ainda por conta de ser uma uva que foge um pouco do mainstream.

Fato é que ele foi muito ajudado por conta da companhia.

Acho que só nós blogueiros ainda insistimos em beber vinho volta e meia sozinhos... Rs. Tudo em nome da "ciência".


Nota -> 3,5 de 5.

Preço -> R$70,00 (R$59,00 sem frete aqui).

Site -> Cavallotti.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Bonarda: impressões XII - Zuccardi Emma Bonarda 2010 #CBE

Meu primeiro post da CBE (Confraria Brasileira de Enoblogs)!

O tema do mês de junho foi proposto pelo casal Claudio e Rafaela do Le Vin au Blog (que aliás acho o nome bem original), e era: vinho especial da sua adega que esteja pronto para ser aberto.

Frisaram bastante que era o momento do desapego total.

Eu escolhi esse:


Apesar de relativamente jovem para um vinho desse naipe, os Bonarda (sic) que tenho bebido estavam bem prontos, então o desapego não causou assim tanta preocupação.

Aliás, os vinhos feitos com a cepa não costumam usar muita barrica porque a madeira "pega" muito nos vinhos feitos com ela (palavras de Sebastian Zuccardi). 60% desse vinho passou por barris de primeiro, segundo e terceiro uso por 12 meses, com apenas 3680 garrafas produzidas. As vinhas possuem 32 anos.

A Bonarda também pede uma atenção especial no vinhedo, visto que se não for bem direcionada tende a produzir muito, reduzindo a qualidade dos frutos. Essas uvas são de Santa Rosa, do vinhedo lote 61 plantado por José "Pepe" Zuccardi.

A Zuccardi tem vinhos muito bons, foi uma das melhores visitas que fiz em Mendoza, mas o post eu tô devendo até hoje.

Esse vinho ganhou medalha de ouro e troféu regional da Decanter para suas duas primeiras safras (2009 e 2010). Tim Atkin deu 92 pontos e a Wine & Spirits deu 90 pontos, a Wine Enthusiast 89 pontos, e o IWC medalha de prata. Todos para essa safra.

Começou meio tímido, muito púrpura, escuro, halo aquoso fininho que desce para um púrpura brilhante, mas se abriu num frutado exuberante, muita coisa vermelha e alguma coisa preta, toda aquela coleção (cereja, mirtilo, etc...). Percebe-se o leve tostado, muito agradável que se integra perfeitamente, e talvez alguma coisa de erva/especiaria. Vez por outra vem algo que lembra um chocolate.

Na boca, jugoso, sedoso, um belo caldo, a textura tradicional da Bonarda elevada a um outro nível, com mais estrutura e taninos, que de forma alguma incomodaram. Muito pelo contrário, deram força a ele, fazendo com que encare algo mais forte para acompanhá-lo. Preenche a boca e faz um carinho. Às vezes o álcool dá uma queimada.

Diferentemente dos outros Bonardas varietais de linha, trouxe também uma acidez bem legal, que o impede de ser enjoativo. A persistência é muito boa. O final tem um quê mineral e convida a outro gole, e foi embora rápido.

O vinho está pronto e é muito bom. Talvez dure mais uns aninhos, não saberia dizer.

O único porém é o preço praticado aqui no Brasil (pra variar). Se você não tem a sorte do meu colega Vitor, que comprou-o na fronteira a um preço absurdamente menor, só indo até Mendoza...


"Emma é uma mulher elegante, de personalidade brilhante, charmosa, espontânea e sofisticada ao mesmo tempo." Emma é a avó de Sebastian, e esse vinho é em homenagem a ela.

Nota -> 4,5 de 5.

Preço -> R$180,00 na Emporio Mercantil e na Ravin (que é quem importa).

Site -> Zuccardi.