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quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Clos du Marquis Saint-Julien 2007


Mais um bebido durante minha viagem à França. Saint-Julien é uma pequena área vizinha a Pauillac (que para muitos é o berço dos melhores vinhos de Bordeaux), e produz alguns belos exemplares.

Dizem que este Clos du Marquis é o "segundo vinho" do Château Leoville Las Cases, second cru de renome. O guia Chinês de vinhos de Bordeaux alega que não, que são produtos distintos. Neste mesmo guia está escrito que a primeira vez que o Leoville Las Cases lançou um segundo vinho foi neste mesmo ano de 2007, mas sob o nome Le Petit Lion du Marquis de Las Cases.

Trocando em miúdos, segundo vinho geralmente é lançado quando a safra é muito boa e muito grande, então para respeitar definições de volume os produtores lançam os caldos com outros nomes.

Como os outros vinhos do Medoc (margem esquerda do rio), a Cabernet Sauvignon reina como base, tendo Merlot e Cabernet Franc completando o sumo. Às vezes aparece a tânica Petit Verdot.

Achei na net que a composição é 68% Cabernet Sauvignon; 22.6% Merlot; 6.8% Petit Verdot; and, 2.6% Cabernet Franc. Porém, não sei se é verdadeira.

Fiquei impressionado com o passeio de aromas de frutas e a extrema fineza dos taninos, o vinho acabou na velocidade da luz, o jantar mal havia sido servido e a garrafa estava lá vazia. O final é delicioso. Podemos chamá-lo de elegante, embora haja vigor e para os mais suaves o álcool se mostre.

Voltei pra comprar, quem disse que tinha? Não achei mais...

Preço -> € 27 no mercado E.Leclerc, na semana de vinhos de Bordeaux, em Outubro passado. Nesta loja em Portugal já passa dos € 36

Nota -> 5 de 5.

Site -> ???

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Casa Valduga Reserva Brut 25 Meses 2010: que belo espumante!


Há tempos espero para provar esse espumante. Havia comprado há um tempinho, e lá estava ele descansando em minha geladega.

Decidido a supreender a Isis, grande fã de espumantes, resolvi investir nele.

Li alguma coisa a respeito, dizem que fez bonito em degustações às cegas. Ganhou Medalha de Prata na 37ª edição do Challenge International du Vin 2013, na França.

Confesso: não me decepcionei.

Na taça seu perlage (as famosas bolhinhas) são intensas e espalham-se de uma forma muito bonita, parecia um céu estrelado. É sério.

Dourado intenso e brilhante.

O nariz é bastante frutado, e tem algo mais, não diria que seria o clássico pão/casca de pão. A ficha técnica aponta para amêndoas e especiarias.

Mas na boca é que ele diz a que veio. Saboroso, ótima sensação, um pouco cítrico, acidez no ponto, a famosa cremosidade se mostra muito bem, o final é longo e sem amargor algum. Persistência ótima.

A Chardonnay manda com 70%, e a Pinot Noir completa.

Um belíssimo trabalho dos Valduga, vou procurar mais dessa safra 2010 para comprar.

Nota -> 5 de 5 (minha companhia ajudou-o, concedendo mais meio ponto).

Preço -> se não me engano paguei R$46,00 na Lidador.

Site -> Casa Valduga.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Essência do Vinho Rio 2013 - Primeiro dia (quinta-feira)


Estive no evento no dia 02, quinta-feira, basicamente para comparecer ao painel 04, "Chile Wine Tour", onde o Alexandre Lalas daria uma palestra sobre o Chile e sua busca de identidade de seus vinhos, através de um panorama com 7 de seus melhores vinhos.

Cheguei um pouco cedo, resolvi dar uma passada nos stands, e provar alguma coisa sem exagerar, para não comprometer a noite, pois coisa muito boa estava planejada nessa palestra.

De quebra vi o stand da Cortes de Cima, o qual não pude resistir a visita. Gosto muito dos vinhos deles. Como não havia o Incognito, tampouco o Reserva para degustação, procurei o Petit Verdot e o Trincadeira, tendo sucesso apenas na segunda opção.

O Trincadeira é ótimo, muita fruta, redondo, agradabilíssimo. Um belo vinho. De quebra aproveitei para degustar novamente o Hans Christian Andersen, para mim a prova que concentração não necessariamente é sinônimo ou pré-requisito para um grande vinho. Nota 4 para o Trincadeira.

Pouco concentrado mas com incrível corpo, o vinho é muito bom, e seus aromas tostados permanecem vivos na taça um longo tempo após o término do caldo, bem como em boca sua persistência também é muito boa. Outro vinhaço deles. Nota 4,5 para ele.



Dali fui ao stand da Terramater. Lá, provei o Puro Instinto e o Sultán (acima), dois belos vinhos. O Puro Instinto custa cerca de R$200,00 no site da Terramater e é um blend com base Syrah muito gostoso, com Cab. Sauvignon e Franc em partes iguais (20%), e traz aquela potência dos grandes vinhos sulamericanos. É do Maipo Alto, com 18 meses de barrica de 1o uso. No site pelo boleto sai a R$175,12. Nota 4 de 5.

Já o Sultán (quem exerce o poder em árabe), com seus 97 ptos no concurso de enólogos do Chile e suas 3.925 garrafas, é um 70% Syrah com 15% de Malbec e 10% de Cabernet Franc, com 21 meses (!) de barricas francesas novas, oriundo do frio Casablanca. Muito mineral, no nariz o champignon toma conta. Depois de um tempinho surge uma fruta doce no fundo (no fundo?). Belíssimo vinho, boa acidez, e caro -> R$399,00. Nota 4,5 para o garoto, um vinho bem diferente e interessante.

Começo a ficar intrigado com os vales mais frios do Chile e seus vinhos, dois vinhos do Casablanca que também me trouxeram boas impressões foram os Loma Larga Malbec e Cabernet Franc. Outro que traz impressão correlata é o Kankana del Elqui, do vale del Elquí, com suas frias brisas marítimas.

Perto da hora de início, rumei para a sala 2 onde aconteceria o painel com os vinhos do Chile.

De quebra já fiquei um pouco chateado por conta do atraso de meia hora. Outro ponto que continua a me deixar profundamente chateado é a tremenda falta de educação do pessoal, que chega empurrando e forçando barra para aproximar-se, quase como competição. Enfm, não exaltemos as partes ruins.

Já devidamente sentado na mesa, gerenciando a expectativa...


O evento teve também a presença da Pedras Salgadas, água mineral natural de Portugal, naturalmente gasosa, igual à nossa querida São Lourenço. Gostei da água, embora bastante salgada (claro Felipe, olha o nome rs).

Bem, vamos aos vinhos.



O primeiro foi o Marina Sauvignon Blanc 2012 da Bravado Wines. A Bravado Wines é de um casal de enólogos (Felipe Garcia e sua esposa), oriundos de grandes vinícolas e que resolveram tocar o seu próprio projeto. De aspecto verdeal, com algo de mato (sério) no nariz, mas o maracujá dominante, coisa linda. Belíssimo vinho, acidez boa, sensação adocicada, muito bom mesmo.Me lembrou o Sauvignon Blanc da Chocalán, em um nível claramente superior porém.

100% S. Blanc, de 3 clones diferentes porém. 8715 garrafas. Bastante premiado:



O Lalas fez uma ótima observação: esse vinho consegue uma acidez que a maioria dos S. Blancs do Chile não consegue. Conseguiu me agradar mais que o S. Blanc da Vila Francioni, que havia provado anteriormente e gostado muito, estando os dois na mesma faixa de preço. Nota 4,5 de 5 pra ele.

O segundo vinho foi o Flaherty 2007, de base Syrah mas com boas partes de Cabernet Sauvignon e Tempranillo:



Cor de vinho evoluído, parecia um Porto ao ser vertido na taça, e no nariz. Depois modificou-se, aromas adocicados e em constante mutação. Boca rápida, bom vinho, interessante, gostei bastante no início, mas me decepcionou depois de um tempo. O Lalas o definiu como um vinho "sujo", e muitos informaram que esse vinho costuma confundir muita gente "expert". Começou muito bem mas terminou fraco na minha opinião. 3,5 de 5 pra ele.



O terceiro foi o Vigno. 100% Carignan do Maule, 30 meses de barricas francesas 25% novas, 90 ptos no Descorchados, feito pela Bravado Wines.  Fazem parte da Vignadores de Carignan, associação que vale ser conhecida. Bem escuro, um nariz meio chocolate, bom corpo, um vinho de presença em boca, ótima sensação de contato, ele realmente preenche a boca. Taninos perfeitos, e uma acidez boa também, que impede-o de se tornar chato. São 1.299 garrafas de vinhas de 54 anos de idade. Mais um belo vinho, 4 de 5 sua nota.



O quarto vinho me provocou um sorriso: Montelig! Aberto o 2004 no fim do ano passado, conquistou a todos os presentes, ofuscando um pouco o Pera Manca (ok, o portuga estava jovem ainda). Recebeu 92 ptos do RP e do descorchados, o que na minha modesta opinião é pouco. Como não ligo muito pro que eles falam, na minha opinião e na de muitos presentes o melhor vinho da noite. Composto de 40% Cabernet Sauvignon, e partes iguais de Petit Verdot e Carmenère, do Aconcagua, lar de grandes vinhos como o Seña e o Don Maximiano Founder's Reserve (os quais infelizmente ainda não provei). De aparência ainda jovem, nariz maravilhoso, delicado, em boca suave e agradável, mas com personalidade inconfundível. Confesso que era parecidíssimo com o 2004, embora com mais vigor e menos ervas. Sua estrutura é ótima, seu final memorável. Nota 5 de 5. Para muitos o melhor do Chile. Dentro do que já provei, o melhor do Chile e talvez o melhor de tudo que já bebi.

Partimos para o Amir (príncipe em árabe) 2008, do Maipo. 3.996 garrafas:



Base Cabernet Franc (50%), com boa parte de Syrah (40%) e traços de Petit Verdot e Malbec. Outro vinhaço! Já com aspecto evoluído (tem 21 meses de barricas), muita erva e fruta ao nariz, alguns condimentos também. Acidez agradável, concentrado, muito bom, "quase mastigável" foi a opinião do Lalas, imediatamente compartilhada. Junto com o Puro Instinto e o Sultán, esse é da Una Hectarea. Esse vinho é feito pelo Felipe Garcia, da Bravado Wines, o 3o com suas mãos do painel. Cara bom!

A Viña Una Hectarea é um projeto de um projeto familiar pertencente a um enófilo brasileiro, que arrenda terras de 1 Ha nos vales de Casablanca, Maipo Alto e Maule, e direciona esses vinhedos para produzir vinhos pessoais e únicos, pelas mãos de grandes enólogos.



O penúltimo vinho é o quase-lenda Toknar, 100% Petit Verdot de 24 meses de barricas francesas. Toknar significa pedra, e o vinho é muito potente, muitos taninos, muito boa acidez, quente, muito púrpura. Ao nariz um xaropão de frutas, muita madeira em boca, decantação obrigatória e muito, muito bom. Vinho para quem gosta de corpo, deve durar mais uns 10 anos. Repito: não é para os que preferem ou só gostam de delicadeza e elegância. Pelo menos, não por agora.


O último vinho foi o Tatay de Cristóbal. Vinho que já passa dos mil reais no site da Terramater, essa safra 2009 ganhou 93 do tio RP, enquanto a 2007 recebeu grandes 97. Muito jovem, muito "verde" na boca, mas delicioso! Cheiro literalmente de mato ao nariz! Também tem muita vida e incrível a quantidade de taninos desse Carmenère com 10% de Verdot.



No mais saí de lá satisfeito por conhecer os grandes da Siebenthal. Deles, só falta o Carabantes, de base Syrah com pequenas parcelas de Cabernet Sauvignon e Petit Verdot, mas esse vai aparecer aqui mais pra frente...

Agradecimentos ao meu amigo Osvaldo pelas fotos!

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Casa Real 2008, Neblus 2007 e Bouza B6 2007


Nosso grande amigo Bruno entrou em contato na sexta dizendo: "Tô a fim de abrir o Casa Real. Bora?".

Com os devidos ajustes realizados, fechamos o encontro e eis que lá pelas 23h estávamos vertendo o garoto na taça.

O vinho é simplesmente um espetáculo, sem arestas, já prontinho, proporcionou um prazer elevado. Sua coloração ainda é de vinho jovem, amplos aromas, na boca uma textura quase perfeita. Fora o final, enorme. Nem me arrisco a elencar aromas e sabores. Prove-o.



Garrafa finalizada, veio a pergunta: e agora? Quem tem peito de vir após?

Escolhemos o Neblus 2007 que veio direto do Chile em abril do ano passado, tá lá há quase um ano deitadão na geladega. Escuro, denso quase leitoso, explosão láctea constante e álcool ainda queimando um pouco as narinas. Na boca muito quente, de taninos de boa qualidade marcando presença todo o tempo. Dá quase para mastigá-lo. Merecia mais um tempo descansando, embora tenha proporcionado um belo momento também.

Um poderoso Syrah com um leve toque de Merlot...


Bom, e agora? Quem vem?

"Precisamos de potência" - pensei. "Vamos de Tannat!" - concluí.

A Tannat sinceramente é das minhas prediletas. O melhor vinho nacional que bebi por exemplo foi um 100% Tannat (Don Laurindo Reseva Tannat 10 anos 2005). E lá veio ele, o Bouza Tannat Parcela Limitada B6.



Bastante denso, escuro também, abriu-se lácteo - ué, isso não foi o Neblus? - o que surpreendeu a todos, embora os tostados tenham dominado logo após. Álcool no nariz também - afinal são 16% - mais encaixado na boca porém que o Neblus. Depois que sossegou na taça, ah! Só não venceu o Casa Real porque sinceramente a comparação não vale a pena, visto serem estilos completamente diferentes.

Apenas 3.053 botellas...


Uma pena que vinhos tão bons sejam quase inalcançáveis para o grande público. No Brasil, as pessoas ainda acham que vinho é coisa de gente rica (talvez com razão); o vinho é tributado como bebida alcoólica (aqui não se tem a tradição de consumi-lo nas refeições ordinárias) e as vinícolas não conseguem se encaixar em faixas mais simples de tributação. Fora outras exigências legais, frete, ICMS variando de estado pra estado,...

Notas -> Casa Real 5 de 5. Neblus 4.5 de 5. Bouza 5 de 5. Uma noite memorável.

Preços -> Casa Real: não declarado mas pode ser encontrado na Grand Cru a quase R$400,00; Neblus: R$88,29 (comprado no Chile, numa loja de vinhos muito boa, la vinoteca se não me engano...); Bouza: presente, mas custou US$35,00 na Bouza (incrível né? Era pra ter trazido uma caixa!).

Sites -> Santa Rita, Viña Casablanca, Bodega Bouza.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Montelig 2004 e Pêra Manca 2007



Eu sei, eu sei. Muito quente. Mas graças a Deus alguém inventou o ar condicionado.

Em nosso almoço de despedida de 2012, a confraria mais uma vez se reuniu, para degustar dois vinhaços.

O Montelìg é da Viña Von Siebenthal. A Viña von Siebenthal é resultado do sonho de um advogado e da ajuda financeira de 4 amigos, que se tornou realidade em 1998. Localiza-se em Panquehue, no Vale do Aconcágua, Chile. Já ganhou prêmio de melhor vinícola do Chile, já esteve por aqui com seu belíssimo Carmenère varietal e seus vinhos tem (já de acordo com a nova norma gramatical rs) recebido boas notas do tio Parker. Esse Montelig por exemplo recebeu 93.

Montelig é a fusão de "monte" com "lig", que significa luz. Segundo eles, são os dois elementos mais representativos da paisagem chilena. Esse vinho é um corte de 65% Cabernet Sauvignon, 25% Petit Verdot e 10% Carmenère, com 18 meses em barris novos de carvalho francês.

O vinho é muito, mas muito bom. Já apresenta certa evolução na cor. Você percebe uma quantidade grande de frutas, baunilha, tostado, defumado. Na boca não possui arestas, num conjunto harmônico e belíssimo. A textura é excelente, provoca um sorriso e deixa uma lembrança de café, com um final enorme. Depois de um tempo, a Cabernet Sauvignon domina com o leve mentolado no nariz, e por incrível que pareça um herbáceo surge também, nos fazendo ponderar se a pequena parcela da Carmenère tem toda essa potência. Palmas, muitas palmas.

São 7.095 botellas, e esta foi a 6.701.

No site deles aconselham no mínimo 15 anos de guarda. Para mim o vinho está pronto.

E o Pêra-Manca? Toda essa rasgação de seda para o Montelig? Vai precisar de um poeta para falar do Pêra-Manca...

A história do Pêra-Manca é curiosa. Antes de tudo é necessário esclarecer: o nome é o mesmo, mas dificilmente o vinho é o mesmo que Cabral trouxe e ofereceu aos nossos ancestrais. Muito bem contada pelo colega Copello, o Pêra-Manca desapareceu em 1920 e retornou em 1988, quando o nome foi doado à Fundação Eugénio de Almeida. Acabou tomando o lugar do Cartuxa Garrafeira, que até então era o vinho top da casa.

O "Pêra" é feito apenas em safras consideradas excepcionais, o que sinceramente não parece ter sido difícil no Alentejo: 1990, 91, 94, 95, 97, 98, 2001, 03, 05, 07 e 08. Quando não vira o "Pêra", o vinho é vendido sob a insígnia Cartuxa Reserva, por cerca de 1/4 do preço. O 2008 então está inflacionadíssimo, passando dos R$800,00.

Aí a gente entra em outro assunto, o preço. Mas essa história é longa e controversa, dessa vez não vamos entrar nela. Ou pelo menos ainda. Um fato interessante é que o Brasil absorve boa parte da produção, e até gente que não bebe vinho com regularidade conhece o nome. O que nos leva a outro assunto, o nome forte da marca, mas já estaremos divagando demais.

O pêra-manca é um vinhaço. A base é sempre Aragonez (Tempranillo/Tinta Roriz) e Trincadeira. Começa fechadão, vai se abrindo aos poucos, e durante essa abertura se modifica rapidamente, passeando por todos aqueles aromas que você encontra nos bons alentejanos. Notadamente frutas levemente passificadas e ameixa, com algo das madeiras utilizadas para o vinho descansar. Interessante que são barris de 3.000 litros de mais de 50 anos, onde o vinho fica por cerca de 18 meses.

Na boca ele mostra uma estrutura muito boa, a impressão que deu é que ainda aguenta mais tempo em garrafa, podendo mostrar realmente todo o seu potencial num futuro próximo. Mas já dá um prazer imenso agora. É quase como um doutorado do vinho do Alentejo. Ou pelo menos boa parte dele.

Me desculpem mas não há comparação entre os dois, são estilos distintos, mas experiências interessantes para todos aqueles que apreciam um belo trabalho. O Montelig vai levar leve vantagem por se encontrar, em minha opiniao, pronto.

Notas -> 5 de 5 para o Montelig e 4.5 de 5 para o Pêra-Manca.

Preços -> R$198,00 o Montelig (foi promoção, o preço normal é R$322,00 na Terramater e na Lidador) e R$639,00 o Pêra-Manca no Rosita.

Sites -> Von Siebenthal e Cartuxa.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Dia do amigo e a safra 2005 no Brasil (Lote 43 vs. RAR e +)



Ok, ok. Essa salvaguarda é uma situação bem chata e algo que muito provavelmente vai nos prejudicar. Antes de tudo porém, devo dizer que os vinhos foram comprados antes do surgimento desse movimento retrógrado.

Enfim, para comemorar o dia do amigo, nada melhor que um fondue acompanhado de vinho e entradinhas.

Há tempos que estava querendo realizar uma comparação com dois vinhos: Lote 43 e RAR, ambos da safra 2005. De quebra, tinha um Valmarino Cabernet Franc aqui também, que eu li muito bem a respeito, tendo inclusive sido premiado lá em Bento Gonçalves como o vinho mais representativo da safra 2005 (segundo eles proprios).

Tudo que bebi da safra 2005 do Brasil ou do Chile até hoje valeu muito a pena.

Havia participado de uma degustação vertical do Lote 43 com meu grande amigo Camilo Figueira, promovida pela SBAV no ano passado e apresentada pelo próprio Adriano Miolo, onde experimentei o 1999, 2002, 2004, 2005 e 2008. Na ocasião, gostamos mais do 2004, mas vimos que o 2005 com mais um pouquinho de tempo na garrafa ia ficar melhor. Adquirido!

Pois é. O 43 estava muito bom nesse dia dos amigos. Ele e o RAR foram abertos uma hora antes. Ele veio primeiro. A ala feminina adorou, inclusive para elas foi o melhor da noite. Apresentou-se num rubi muito escuro, com um halo lindo, mentolado e com algumas especiarias ao nariz, e em boca confirmando os dois com algo mais herbáceo e um excelente frescor, com boa concentração. Muito gostoso e superior à ocasião da degustação vertical. Morreu rapidinho.

Fomos para o RAR. Diferentemente do 43, esse é um corte de 60% de Cabernet Sauvignon e 40% de Merlot, plantados em Campos de Cima da Serra, Muitos Capões, RS, a 1000m de altitude. Nosso vinho de altura?

O RAR começou mais austero, mais taninoso, mais parrudo, mais especiarias e mais madeira. A mulherada chiou. "Vamos dar um tempo pra ele", arrisquei. Àquela altura já estava gostando dele e ele realmente não nos decepcionou; no fim da garrafa estava gostando mais ainda, apesar dos protestos femininos, clamando pelo 43. Qual o melhor vinho? Lo que te gusta más. No meu caso o RAR bateu o 43. Chegou a me lembrar os grandes Alentejanos (!?)

Nenhum dos dois foi filtrado, mas as partículas em suspensão só incomodaram no finzinho do RAR.

Rumamos para o Valmarino. Fiquei tenso após a retirada do lacre e da rolha:



Bem, visivelmente havia afetado um pouquinho o vinho, mas não tirou o seu brilho, as frutas estavam lá, a elegância também, viva o Cabernet Franc! Menos balsâmico e mais carnudo, gostei muito (e as meninas continuaram clamando pelo 43 rs; acho que já estavam altas, mas elegeram-no como o número 2 da noite).

O Valmarino também não foi filtrado, e aconselho decantá-lo. Se quiser comprá-lo, aconselho também que o faça o mais rápido possível, para encontrá-lo foi bem difícil. O 2008 encontra-se facilmente, esse é mais difícil.

Pra finalizar, o vinho de sobremesa mais gostoso que já provei (não, ainda não provei nenhum Sauternes): Boutari/Cambas Samos, da Grécia.



Que coisa maravilhosa, parece um mel mais fino, mais delicado, com um pouquinho de alcool e ervas, uma coisa muito saborosa. Belíssima cor dourada, lágrimas lentas, lindamente espaçadas na taça. Aclamado por todos os presentes. Recomendo.

Feito da Muscat:



Sites -> Miolo, Valmarino, Boutari

Notas -> Lote 43: 4 de 5
               RAR: 4.5 de 5
               Valmarino: 4 de 5
               Boutari: 5 de 5

Preços -> Lote 43: R$85,00 sem o frete na Wine
                RAR: R$34,00 numa promoção na Cobal.
                Valmarino: R$51,00 sem o frete no Armazém Canta Maria .
                Samos Boutari/Cambas: R$ 67,68 com frete na Cia do Whisky .