“No vinho estão a verdade, a vida e a morte. No vinho estão a aurora e o crepúsculo, a juventude e a transitoriedade. No vinho está o movimento pendular do tempo. Nós mesmos somos parte do vinho e da vinha. No vinho espelha-se a vida”. (Roland Betsch)
domingo, 2 de março de 2014
Casa Valduga Identidade Gewurztraminer 2013
Este vinho já passou por aqui na sua safra 2012, e na ocasião fiz referência à 2011.
Esse 2013 segue na mesma linha, mas ao nariz no início subiu algo assim meio químico, que - ainda bem - rapidamente sumiu e deu lugar às frutas brancas.
Frutas brancas? Felipe, gewurz é tempero, essa uva tem 'cheiro de tempero'!
Calma lá: sou avesso aos dogmas e o pouco que conheço de vinhos me faz ter a mente aberta e NUNCA classificar os vinhos pelas uvas que são feitos, mas sim um pouco pela origem e mais ainda pelo meu paladar. Realmente creio que assim que tem que ser.
Aqui a cor segue a mesma da safra passada, o toque picante não apareceu, as frutas brancas dominaram nariz e palato, a acidez é correta e o finalzinho também é azedinho, mas esse é um pouquinho mais "mineral" que os outros.
Vale a pena? Sim, apesar desse também estar na escalada de preços praticada pelos revendedores dos vinhos da Valduga.
A qualidade da Valduga cresceu a olhos vistos, mas será que o preço também precisa? Não era hora de consolidar que vinho nacional é bom e pode ser bebido pelos brasileiros médios e menos abastados?
Pra mim o preço pago ainda vale, mas fico triste que a maior parte dos brasileiros não prove o que a gente tem de bom.
Nota -> 3.5 de 5.
Preço -> R$38,00 no Hortifrutti.
Site -> Casa Valduga.
Santa Rita Gran Hacienda Viognier 2009
Engraçado como as coisas são. Dia desses experimentei um Viognier da Patagônia Argentina, muito bom por sinal. Uma pena que o preço era tão puxado.
Este cá comprei na Grand Cru, quando fui fazer uma pequena compra de brancos para o Carnaval, aproveitando uma promoção deles, recebida por email.
Essas promoções da Grand Cru são relativamente boas e geralmente quando eles vão parar de trabalhar com alguma linha de vinhos, o preço cai pela metade ou até mais algumas vezes.
Bom vamos ao vinho.
Bela cor dourada. A impressão era de um vinho evoluído.
No nariz aromas de frutas brancas bem maduras (pêssego notadamente), algo de damasco e - acreditem - achei carambola. Meu irmão comia muito isso na infância, o aroma dela madura é muito vivo em minha memória e liguei uma coisa à outra.
O álcool também era bem perceptível, mas não chegava a anular a paleta de aromas que se descortinou. Realmente esse vinho é bem aromático.
Na boca a acidez é baixa e as frutas se repetem, é literalmente um caldo, untuoso, percebe-se o álcool ao final e tem-se a impressão que é um vinho meio seco às vezes. Os 13,5 de álcool ajudam nessa percepção, talvez ainda somado ao fato de ter vindo do vale central, não é a melhor região para o completo desenvolvimento das qualidades da uva, fato também reforçado pela baixa acidez.
Bom, o vinho é gostoso mas não acho que seja uma garrafa a ser esvaziada com duas pessoas. Ele se torna um pouco pesado e enjoativo, apesar de ser gostoso. Essa garrafa durou dois almoços seguidos, o que a meu ver não é problema algum.
Nota -> 3 de 5.
Preço -> R$30,80 na Grand Cru.
Site -> Santa Rita. Curiosamente não encontrei essa linha no site. Engraçado mas às vezes as vinícolas fazem linhas só para uma safra ou especialmente para um importador, com características reunidas pelos clientes mais fiéis. Não curto muito isso, prefiro quando o vinho retrata as características do local de origem.
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
Chateau de Tracy (e a escalada dos preços ao chegar por aqui)
Bom, conforme escrito nos posts anteriores, recentemente estive no presumido lar da Sauvignon Blanc: a região conhecida como Loire central, onde o rio Loire divide Sancerre e Pouilly-sur-loire.
Nesse local os vinhos feitos com a Sauvignon Blanc são únicos em seus aromas e mineralidade, com sabor e aromas inconfundíveis.
Escrevi rapidamente sobre alguns produtores que visitei (aqui), mas deixei para escrever de um em especial por ter sido o que mais gostei, o Chateau de Tracy.
A propriedade pertence à família do Conde d'Estutt d'Assay desde 1500 e pouco, produz essencialmente Pouilly-Fumé e localiza-se em Tracy-sur-loire, num vilarejo praticamente deserto e onde a principal estradinha é a que leva ao castelo.
Lá chegando, a primeira atração foi este imenso Cedro, que se levarmos em consideração a época de aquisição do castelo pela família do Conde acima, já tem mais de 500 anos! Não havia informação precisa mas uma placa levava a crer que ele já estava lá antes, inclusive na época que o Chateau chegou a ter batalhas em suas cercanias.
Lá entrando:
A linha deles é composta de 4 vinhos:
Pude provar todos, confesso que são ótimos vinhos mas na hora me inclinei pelo HD, que significa haut densité, pela relação custo-benefício. Esse vinhedo é um vinhedo de alta densidade de plantas, muitas plantas por m². o vinho resultante é bem expressivo em boca. O 101 Rangs também é muito bom.
Pedaços do solo das áreas de vinhedos do Chateau:
Trouxe na mala o Mademoiselle de T, que esse mês mesmo já apareceu no blog do colega João Filipe e na edição desse mês da Revista Vinícola, a qual fiz referência no post imediatamente anterior a esse, e o Chateau de Tracy. Vamos a eles, bebidos já aqui no Brasil, em casa:
O Mademoiselle é o que tem o rótulo mais elaborado e é o mais "suave" de todos, apesar de trazer todas as características dos vinhos sob a denominação. É a porta de entrada dos produtos do Chateau de Tracy e já proporciona um belo prazer...
Já o Chateau de Tracy é o carro-chefe, o mestrado de Pouilly-fumé. Tudo encaixado, herbáceos, mineral, defumados. Acidez bem presente e encaixada, escorta muita coisa por aí e também funciona sozinho. Acaba na velocidade do som.
Os dois somados me custaram €30. Pelo câmbio que paguei à época, saem a R$ 93,30, sendo R$37,32 o Mademoiselle de T e R$55,98 o Chateau de Tracy. Não trouxe mais por questões logísticas...
Segue close dos preços in loco:
Sem mencionar que a safra vendida do Chateau de Tracy é a 2008, o que denota que não deve haver muita saída para esse vinho, e que nos faz ter dúvidas acerca das características do vinho após quase 6 anos, mesmo sendo um belo vinho.
Ou seja: se desejas comprar vinhos de alta gama hoje no brasil, o melhor a fazer é guardar o dinheiro, viajar e trazer de lá...
Nesse local os vinhos feitos com a Sauvignon Blanc são únicos em seus aromas e mineralidade, com sabor e aromas inconfundíveis.
Escrevi rapidamente sobre alguns produtores que visitei (aqui), mas deixei para escrever de um em especial por ter sido o que mais gostei, o Chateau de Tracy.
Chateau de Tracy e um close de parte dos seus vinhedos
A propriedade pertence à família do Conde d'Estutt d'Assay desde 1500 e pouco, produz essencialmente Pouilly-Fumé e localiza-se em Tracy-sur-loire, num vilarejo praticamente deserto e onde a principal estradinha é a que leva ao castelo.
Lá chegando, a primeira atração foi este imenso Cedro, que se levarmos em consideração a época de aquisição do castelo pela família do Conde acima, já tem mais de 500 anos! Não havia informação precisa mas uma placa levava a crer que ele já estava lá antes, inclusive na época que o Chateau chegou a ter batalhas em suas cercanias.
O castelo não está aberto a visitação, tampouco a área anexa. Mas existe uma sala de degustação, dedicada a receber o viajante sedento, onde somos muito bem recebidos:
Lá entrando:
A linha deles é composta de 4 vinhos:
Pude provar todos, confesso que são ótimos vinhos mas na hora me inclinei pelo HD, que significa haut densité, pela relação custo-benefício. Esse vinhedo é um vinhedo de alta densidade de plantas, muitas plantas por m². o vinho resultante é bem expressivo em boca. O 101 Rangs também é muito bom.
Pedaços do solo das áreas de vinhedos do Chateau:
Trouxe na mala o Mademoiselle de T, que esse mês mesmo já apareceu no blog do colega João Filipe e na edição desse mês da Revista Vinícola, a qual fiz referência no post imediatamente anterior a esse, e o Chateau de Tracy. Vamos a eles, bebidos já aqui no Brasil, em casa:
O Mademoiselle é o que tem o rótulo mais elaborado e é o mais "suave" de todos, apesar de trazer todas as características dos vinhos sob a denominação. É a porta de entrada dos produtos do Chateau de Tracy e já proporciona um belo prazer...
Já o Chateau de Tracy é o carro-chefe, o mestrado de Pouilly-fumé. Tudo encaixado, herbáceos, mineral, defumados. Acidez bem presente e encaixada, escorta muita coisa por aí e também funciona sozinho. Acaba na velocidade do som.
Os dois somados me custaram €30. Pelo câmbio que paguei à época, saem a R$ 93,30, sendo R$37,32 o Mademoiselle de T e R$55,98 o Chateau de Tracy. Não trouxe mais por questões logísticas...
Segue close dos preços in loco:
Agora, como esse blog tende a criar polêmica, mantendo sua opinião parcial e verdadeira, gostaria de entender por que o preço cobrado pela Decanter, que é a importadora desses maravilhosos vinhos para o Brasil cobra um preço tão absurdamente diferente do praticado pelo Chateau:
Entendo que a carga tributária é alta (importação, icms, selo de fiscalização, etc), e que ainda há custos de frete e agenciamento, fora o tempo que demora para liberação pela receita federal. Mas tirem as suas próprias conclusões:
Sem mencionar que a safra vendida do Chateau de Tracy é a 2008, o que denota que não deve haver muita saída para esse vinho, e que nos faz ter dúvidas acerca das características do vinho após quase 6 anos, mesmo sendo um belo vinho.
Ou seja: se desejas comprar vinhos de alta gama hoje no brasil, o melhor a fazer é guardar o dinheiro, viajar e trazer de lá...
Sauvignon Blanc é tema da edição 17 da Revista Vinícola
Minha cepa branca preferida é o tema da edição 17 da Revista Vinícola, que de quebra traz também informações sobre o enoturismo no vale do Loire e sobre Sancerre e Pouilly-fumé, as duas denominações de maior importância para o vinho branco feito com a Sauvignon Blanc, e na minha opinião os melhores brancos do mundo.
Leia aqui.
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
Del fin del mundo Reserva Viognier 2010
Uma taça. Foi o suficiente para ser surpreendido por um vinho que se apresentou bem amarelo, amarelo ouro na taça, com nariz bem suave e adocicado, alguns disseram floral, confesso que fica entre flor e fruta em algum lugar. Durazno para não fugir aos descritores clássicos.
Na boca, um mel. Algo como um mel fino, como se desse pra fazer mel de fruta madura (será que dá?).
Belíssimo vinho. Um quê adocicado mas incrivelmente a acidez que não some mas que também não manda está ali em algum lugar, e o vinho não enjoa. Já havia bebido um Pinot Noir Reserva, Reserva Malbec e um Reserva Cabernet Sauvignon dessa Bodega, todos muito bons. Uma vez mais têm os meus parabéns.
Nota -> 4 de 5.
Preço -> R$110,00 na VinExpress mas calma, não comprei a garrafa (achei caro).
Site -> Bodega del fin del mundo.
Bodega Vieja 2012 Sauvignon Blanc + Semillon #CBE
O colega Deco Rossi escolheu o tema do mês e lá fomos nós: vinho branco de corte de qualquer faixa de preço.
Esse vinho surgiu meio que sem querer, numa noite quente escoltando uma pizza vege.
É um corte que pode ser bastante encontrado em Bordeaux, porém nunca havia bebido e não sabia que no Chile o pessoal fazia.
Os aromas herbáceos da Sauvignon Blanc foram mais ou menos domados pela Semillon, a fruta sobressaiu. Em boca também, embora haja acidez e o finalzinho mais uma vez é daqueles vinhos que caminham mais para uma seara de meio-seco (pelo menos na sensação de boca).
Agradou, deu conta do recado numa sexta-feira e me fez relaxar para terminar bem o dia, ganhando a aprovação também da minha amada Isis.
Nota -> 3 de 5.
Preço -> R$ não me lembro.
Site -> Ochagavia. Estranho que não o vi na lista de produtos da casa.
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
Faces Branco 2013
Neste fim de semana estive com minha amada no restaurante Mirante, e lá havia um pessoal representante da Lidio Carraro, a vinícola brasileira escolhida para fornecer os vinhos oficiais da Copa do Mundo do Brasil.
Sem entrar no mérito político do assunto, vou me concentrar no produto oferecido pela Lidio Carraro, na minha opinião o que temos de melhor no Brasil junto com algumas outras vinícolas. E que harmonizou muito bem com a ótima comida do restaurante.
Na minha opinião, o Faces Branco é o melhor dos 3 lançados (seguem-no o Rosé e o Tinto), ainda mais nesse clima quente ao extremo do Rio de Janeiro. Um inusitado corte de Chardonnay, Moscato e Riesling Itálico resultou num vinho agradável, fresco e suave na boca e com aquele final azedinho característico da Riesling.
Na faixa de preço cobrada nas lojas, vale bastante a pena. Merece apenas uma atenção na harmonização, talvez uma comida mais pesada não case muito bem.
De quebra pude provar o Dádivas Pinot Noir 2012. Esse vinho já foi exaustivamente comentado em blogs por aí, então vou me limitar a dizer que gostei bastante, aromas bem suaves de frutinhas vermelhas mas na boca evocou algo mais terroso, rústico, taninos ainda à mostra. Pretendo comprá-lo e beber com mais calma.
Nota -> 3.5 de 5.
Preço -> R$59,00 no restaurante mas nas lojas é um pouco mais barato, lógico.
Site -> Lidio Carraro.
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