sexta-feira, 1 de abril de 2016

Brasil: Don Laurindo Gran Reserva 2005 #CBE [English below]

Dia primeiro, e como todo dia primeiro, é dia de CBE, nossa amada confraria virtual dos enoblogueiros brasileiros.

O tema desse mês foi proposto pelo confrade Gustavo Kauffman do blog enoleigos: "Vinho Sul Americano com 10 anos de vida ou mais".

É um tema relativamente desafiador para você que não costuma guardar os vinhos na adega, pelo menos no Rio de Janeiro é difícil encontrar um vinho com mais de 5 anos nas lojas ditas especializadas, quem dirá com 10 ou mais!!!

Possuo outras opções que se encaixam no tema, mas estava curioso com esse presente que ganhei de um amigo que recentemente visitou a Don Laurindo (coisa que ainda não fiz, infelizmente), e de quebra ainda me rendeu um autógrafo do Ademir Brandelli, filho de Laurindo Brandelli, o famoso Don Laurindo.

Confesso que estava um pouco apreensivo por conta dos 11 anos de idade dessa que é considerada por muitos a melhor safra (diria que a melhor que foi, vamos dizer, medida) do Brasil. Reza a lenda que a de 1999 foi excelente, porém mal aproveitada.

Mas enfim, o rótulo manteve a escrita da Don Laurindo nesse blog: tudo deles que foi bebido até hoje é muito bom!

Este é um corte inusitado: 80% Tannat e 20% Ancellota. A Tannat é uma paixão pessoal, a Ancellota me agradou no pouco que dela bebi. Suspeito sou, então.

Começou fechadão, ao ser vertido na taça demonstrou ser um caldo denso, no nariz o álcool apareceu.

Bonita cor!

Uma fruta fresca surgiu logo depois, mas cedeu rapidamente espaço para os tons ditos 'animais', a famosa estrebaria que meu amigo confrade Peter afirma gostar bastante. Já bebi muitos Tannat que apresentaram essas nuances, mas sem exageros, sempre bem balanceadas com as frutas.

Na boca uma textura deliciosa, menos densa do que denunciou o líquido ao ser espalhado na taça, algo assim como a sensação daquela carne entre mal passada e ao ponto. Não falta acidez ao conjunto e tudo está bem harmônico mesmo após todo esse tempo, com os taninos bem redondinhos e enriquecendo a experiência, confirmando que a safra e a Don Laurindo trabalharam muito bem!

Foram 1.780 garrafas e essa é a de número 1.650. Gosto desse direcionamento da Don Laurindo de fazer pequenas séries especiais, bem cuidadas.

Se vale a pena comprar esse vinho para guardar? Eu sinceramente compraria para degustar novamente nesse inverno que se aproxima, pra mim está no ponto!


2005 is considered to be the best harvest for the modern brazilian wine until now. This bottle comes to confirm that indeed is something quite amazing.

I was a little worried about this bottle's conditions after these 11 years, but fortunately it was perfect.

Unnusual blend of 80% Tannat and the rest from Ancellota, the grapes themselves not from the mainstream wine varietals, the color was beautiful and the nose started fresh fruity and a little warm, rapidly turning into something close to a barn, Tannat most of the times brings us with this kind of hint.
It appeared to be one more dense south american wine, but incredibly in mouth what we saw in the glass did not confirm itself. Nice texture, nice taste, I would definitely buy a whole box. If you have never tasted a brazilian wine before, this one is a good start, but hurry since only 1.780 had been produced.

Don Laurindo is a small winery in southern Brazil, valuing high quality, character, sympathy and local tradition.


Nota (grade) -> 4.5 de 5.

Preço (Price) -> Presente. No site a garrafa custa R$120,00 e a meia, R$60,00. (This was a gift but on site it is US$30,00 a bottle)

Site -> Don Laurindo.


sexta-feira, 18 de março de 2016

Marichal Chardonnay 2013 [Uruguai] #CBE

Depois de um tempo off, estou de volta para o post da CBE, a confraria brasileira de enoblogs. Com atraso, ok, mas de volta!

O tema para o mês de fevereiro de 2016 da nossa amada confraria virtual foi: Chardonnay sem passagem por madeira, de qualquer país e preço. Responsável: Tiago Bulla, do Universo dos Vinhos.

Escolhi esse uruguaio de Canelones, um Chardonnay jovem, bem frutado e aromático, de início até me assustei achando que tinha leve passagem em barricas, mas não é o caso. A boca traz boa acidez e a uma impressão de dulçor soma-se uma inesperada mineralidade, que vem em boa hora. Gostei dele.

Escoltou bem um Frango Thai com arroz de jasmin, e não se intimidou perante um Garam Masala bem puxado, foi uma boa combinação.

Experimentem-no!

Nice uruguaian Chardonnay from Canelones region. This Marichal Family winery might be influenced by the sea (geographically close to), as this beautifully fruity chardonnay also gifts us with a bright minerality and acidity, along with fresh fruit presence. The nose is sweet and initially I thought it had spent a little time in barrels, which has not occurred.

Very interesting, Uruguay is always a good choice in my opinion.



Nota (points) -> 3.5 de 5.

Preço -> R$65,90 na Vinum Day (circa US$16)

Site -> Bodegas Marichal.

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Fattoria Le Puppile Pelofino 2009


Este foi adquirido num bota-fora da Vinci há bastante tempo. É a segunda vez que comprei-o, por conta do sucesso que este vinho fez num jantar na casa de uns amigos há uns anos.

Já possui uma cor "cansada" na taça, um vermelho caminhando pro castanho, porém muito bonito.

Lágrimas lentas e abundantes. Frutas frescas porém não doces dominam e aparecem junto com ervas secas, mas há algo mais. Não gosto do termo "animal" mas tem um quê suadinho, diferente.

Na boca mais fruta e ervas, taninos marcam de forma agradável, "salgadinho", me lembrou em alguns momentos os vinhos Maximo Boschi (brasileiros). Interessante, não tem um traço sequer de dulçor.

Complexidade, para beber devagar. Escoltou bem um bacalhau no alho e cebola com batatas.

Base de Sangiovese (55%), completado por Syrah (30%), Cabernet Sauvignon (10%) e Cabernet Franc (5%).


Nota -> 4 de 5.

Preço -> R$ 58,65 (sem o frete, na segunda vez), num bota-fora da Vinci há muito tempo. Hoje passa dos R$100.

Site -> Fattoria Le Pupille.


In English:

This bottle of wine was bough in an online promotion of a brazilian winestore called Vinci. It is the second time I buy this wine, since the first time was a huge success on a dinner in a friend's house.

Its color is kind of "tired", a fading red, beautiful nevertheless.

Tears roll down calmly. Fresh and not yet ripen fruits invade your nose, together with dry herbs, but there is more. People in the wineblogging like the term "animal", I do not but there is something like that barn in a hot day.

Complex, handed a cod with garlic and potatos very well. To drink slowly.

Blend: Sangiovese (55%), completado por Syrah (30%), Cabernet Sauvignon (10%) e Cabernet Franc (5%).

Grade -> 4 out 5.

Price -> US$20


sexta-feira, 12 de junho de 2015

Zuccardi Q Malbec 2012

Após o Puklavec, abrimos esse Malbecão.

A linha Q é a linha premium da Zuccardi, a meu ver uma ótima vinícola de Mendoza, eles produzem grandes quantidades e variedades, a partir da Serie A já temos muita coisa boa. Plantam também variedades pouco conhecidas e produzem azeites (alguns realmente bons).

Este é um Malbec daqueles que traduzem a razão desses varietais terem se tornado tão famosos. É exuberante, seja na cor púrpura escura que mancha a taça e nos aromas de violetas, baunilha e frutas negras mescladas no álcool, seja nos taninos muito presentes e no corpo que enche a boca e amarra a língua, pedindo uns momentos para se recompor e tentar entender tudo o que passou por ali.

Um belo vinho, para ser degustado com calma e escoltando alguma comida estruturada, porém cometemos um infanticídio. Está jovem, não agradará a todos os paladares neste momento, embora eu já tenha gostado dele e certamente gostaria de prová-lo daqui uns anos.

Nota -> 3.5 de 5.

Preço -> gentilmente oferecido pelo Camilo.

Site -> Zuccardi.



In English:

Following the Puklavec, we opened this big Malbec.

The Q line is Zuccardi's premium line of wines, for me one of the great Mendoza wineries, they produce great quantities and varieties, and from the A line we unquestionable have beautiful wines. They also make wines from unknown grapes for the most part of winelovers and olive oil, some very good.

This is a good instance of the now well known Argentinian Malbecs. Luxuriant glass dying purple color and violet aromas, together with vanilla and dark fruits. In mouth, alcohol and tannins, in a full-bodied mouth-filling liquor that kidnapp your tongue and makes you ask for a moment to understand everything that had just passed.

A beautiful wine to be tasted calmly and maybe alone, but we do committed an infanticide. It is young and will not please everyone at this moment, although I really enjoyed it and would like to taste it again in a few years.

Grade -> 3.5 out of 5.

Price -> owned by Camilo.

Site -> Zuccardi.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Puklavec & Friends Sauvignon Blanc & Pinot Grigio 2013

Há tempos que não degustava um vinho com meu grande e enófilo amigo Camilo. Nosso paladar se
aproxima então é bom porque fica sempre mais fácil levar ou abrir uma garrafa; embora abrir uma garrafa de vinho nunca tenha sido problema para nós, fora a correria que tem nos impedido.

Enfim, já havia visto esse rótulo em algumas lojas, mas não havia provado. E ao chegar ele logo foi me apresentando à garrafa.

Cores tradicionais de Sauvignon Blancs jovens (amarelo verdeal transparente), muito herbáceo ao nariz (particularmente aprecio), frutas cítricas, uma agradável sensação de frescor.

Na boca a Pinot Grigio dá o "corte" final, fazendo presença naquele gostinho de final de boca, bem característico. A "crocância" dela fica evidente com atenção, mas não é o fio condutor. A sauvignon blanc manda. Frescor confirmado, frutas, ervas, certa mineralidade.

Muito bom de se beber, acaba na velocidade da luz. Recomendo, principalmente pela faixa de preço.

Pra quem gosta de saber os prêmios, ganhou medalha de ouro na IWSC 2013.

Fiquei interessado na linha premium deles, quatro brancos.


Nota -> 4 de 5.

Preço -> um pouco mais de R$30,00

Site -> Puklavec & Friends.

In English:

It has been a long long time since I had the last bottle of wine with my great enofriend Camilo. It is cool to open a bottle together because our taste is quite the same, so we almost always open a good one for both.

Regular Sauvignon Blanc color (greened yellow), herbs on the nose (I do appreciate it), citric.

The Pinot Grigio crispness and final hints ares present, but the Sauvignon Blanc is the boss. Fresh, fruity, more herbs and a little mineral.

Very good and pleasant, ends in lightspeed. Do recommend, specially for the price.

IWSC 2013 gave him a gold medal.

I will look for their premium line.


Grade -> 4 out of 5.

Price -> In BR something close to US$12

Site -> Puklavec & Friends.


sexta-feira, 22 de maio de 2015

Viña Albali Verdejo 2012


Grande surpresa. Comprado no supermercado Pão de Açúcar, fiquei intrigado pelo preço um pouco acima de R$30,00 e por ser de uma uva "não comercial", e a qual eu ainda não havia provado, e por ser de Valdepeñas.


Não poderia ter sido melhor. De cor forte, amarela, aromas muito frutados beirando o mel. Fiquei preocupado achando que seria algo enjoado, doce demais. Ledo engano.

Na boca muita untuosidade, boa acidez, algo de frutas porém não-maduras. Final levemente amargo, interessante o vinho. Recomendo.

Preço -> um pouco mais de R$30,00.

Nota -> 3.5 de 5.

Site -> Viña Albali.


In English:

Great surprise. Bought at a local supermarket, I was intrigued on its price and origin, additionally I had never had a Spanish Verdejo, definitely a non-commercial variety, at least not in Brazil.

It could not be better, inexpensive and good wine. Strong yellow color; fruity on the nose, very sweet. I was worried about the taste, I do not like those too fruity white wines.

Fortunately I was wrong.

Unctuousness, acidity, some fruits but they were almost green. In the end, light bitter taste, Interesting, fully recomended on a sunday lunch afternoon.

Price -> circa US$10.

Grade -> 3.5 of 5.

Site -> Viña Albali.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Grey [Glacier] Merlot Single Block 2010


Diferente esse Merlot chileno. Vindo de Apalta, que fica no Valle del Colchagua, terra de Carmenère e Syrah deliciosos (Casa Silva, Lapostolle, Viña Montes,etc), tem cor vermelho-sangue na taça já indicando alguma evolução. Os 18 meses em barricas de carvalho mais 5 anos trataram de dar essa cor a ele.

Aromas frutados em profusão (ameixa bem presente), tostado notável (às vezes tendo a achar que na Merlot sai muito e talvez usem demais), e algo de "remédio" (engraçado que encontro muita essa nuance em Tempranillos porteños). Também aparece algo herbáceo, como em muitos outros Merlot por aí.

Média concentração em boca, com mais ameixa, taninos muito educados, leve acidez, mais herbáceo e fruta, chocolate talvez mas algo assim bem discreto. 

Muito fácil, textura leve e funciona melhor sozinho, embora não seja de maneira nenhuma um vinho pesado. Essa linha Grey me agradou bastante até hoje. Recomendo prová-lo, até uns R$80 tá bem pago.

Dois dias depois (usando a bombinha trudeau para tirar o ar - pra mim foi uma boa compra e segura bonito o vinho até uns 5 dias se não houver reabertura nesse meio tempo) virou geleião, acidez se foi quase que completamente mas álcool ainda lá.

Nota -> 4 de 5.

Preço -> R$79,9 na Bacco e Tabacco.

Site -> Viña Ventisquero.

Ganhou esse Prêmio e Bronze no Decanter Wine Awards (safra 2007).

A querida colega enoblogueira Dama do Vinho fez um interessante podcast sobre a Merlot -> Ouça.


In English:

Diferent bottle of this chilean Merlot. Comes from Apalta, a micro-region inside the Colchagua Valley, where the famous Casa Silva, Lapostolle, Viña Montes, Santa Helena and other good Carmenère producers are located.

Blood-red in glass, showing hints of evolution, probably given by the 18 months in french oak barrels and another 5-year period in bottle.

Very fruity (blackberry noticeable), toasted (I tend to think that sometimes the winemakers use too much wood on Merlot varietals), e something like remedy. This remedy 'feeling' I very often find in Tempranillos from Argentina. Sometimes the herbs show up.

Medium concentration, more blackberry come, very polite tannins, light acidity, more herbs and maybe a bit of chocolate, when you taste it calmly.

Easy to drink, works better by himself, although it is not a heavy wine. This Grey line from Ventisquero always bring me something very good.

After two days, being helped by that Trudeau pump to suck out the air, it has become a total jam, with almost no acidity at all, but the alcohol was still there.

Grade -> 4 out of 5.

Price -> something like US$27

Site -> Viña Ventisquero.